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08/10/17

Hpa-An



A pequena cidade de Hpa-An é a capital do estado Kayin, também conhecido como Karen, devido à etnia predominante. A cidade em si não tem atractivos que justifiquem a visita. No entanto, a região em que se insere é das mais bonitas onde já estive, com o bónus de ainda receber muito poucos turistas. É possível alugar um taxi por cerca de 25 a 30000 kyats (25/30 USD) para todo o dia ou então um tuk-tuk por um pouco menos de dinheiro se bem negociado. Se tiverem mais do que um dia, o ideal será mesmo explorar a região de bicicleta ou scooter eléctrica mas aviso que não será fácil encontrar parte das atracções.

A cidade fica a umas 4h de Kyaiktyio (fizemos 1/4 da viagem de autocarro, o resto de "mini-bus" onde partilhamos lugar com sacos de milho e feijão) e a cerca de 1h de Mawlamyine.

À data da nossa visita, havia ainda um atractivo extra na cidade propriamente dita, uma festa da importante comunidade Coreana que ali vive: uma sucessão de barraquinhas de comidas típicas, uma autêntica feira de utensílios, carroceis e rodas movidas pela força humana e claro, actuações de vários grupos coreanos num palco que servia de epicentro a tudo isto.









A paisagem é dominada por montanhas calcárias, em tudo similares às do sul da Tailândia, Halong Bay no Vietname ou Guilin na China. A grande diferença é mesmo a ausência de turistas e até mesmo de habitantes locais, que se dispersam pelos arrozais. A religiosidade deste povo é também evidente nesta região: várias grutas e campos foram cobertas de pequenos budas dourados e estátuas, servindo de local de culto como se um verdadeiro templo se tratassem.





Há ainda estupas e templos budistas construídos nos locais mais inusitados, como o Kyauk Kalap: uma sucessão de estupas que se destacam de um lago artificial e cujo topo, ocupado por mais uma estupa, parece aguentar-se contra todas as leis da gravidade.





De entre todas as grutas, visitamos duas mas aquela que sem dúvida merece todo o destaque é Sadan Cave. Esta gruta natural com quase 1km de comprimento começa com uma grande galeria com estupas e várias figuras gravadas nas paredes com pequenos budas dourados. Daqui em diante, começa todo um tortuoso e escuro caminho (mesmo com as luzes ligadas) que se torna algo assustador pela quantidade imensa de morcegos no seu tecto, que levam a que o solo seja uma mistura de terra e guano (como local de culto budista que é, entra-se descalço). Já próximo do final, atravessam-se umas pequenas poças de água e começa-se finalmente a subir até se chegar uma pequena escadaria que deixa antever o final da gruta e a sua abertura, mas que não permite adivinhar a magnífica vista que daí se tem.








É daqueles sítios onde dá vontade de permanecer o resto dos dias mas como tal não é possível, dá-se então início a outro momento extraordinário: o regresso numa pequena canoa de madeira, primeiro através de uma estreita fenda sob o monte, depois pelos arrozais alagados, até se chegar novamente à entrada da gruta.




Este foi sem dúvida o nosso ponto alto em Hpa-An e um dos melhores em todo país. Como tudo que é bom requer algum grau de sacrifício, é de salientar que o percurso pela gruta não é fácil. A entrada é livre mas um monge "exige" um donativo fixo de 3000 kyats por pessoa para manter as luzes ligadas. Em boa verdade, ele não confere o dinheiro depositado na caixa e é aconselhável que levem uma lanterna, pois mesmo com as luzes instaladas pelos monges não se vê praticamente nada neste percurso escorregadio ao som dos morcegos. O regresso de barco custou-nos 1500 kyats por pessoa e obviamente foi dinheiro (muito) bem gasto. O por do sol no final, é daqueles que fica para a vida:

Outras grutas de interessa, embora bem pequenas e sem as vistas da anterior, são as Kaw Ka Tsung e a Kaw Gon. Visitamos a primeira já ao anoitecer, antes de regressar a Hpa-An para a festa!










Por fim, o ponto mais alto da região - também ele sagrado para os budistas - é o Monte Zwegabin. É possível subir até ao topo mas preparem-se para enfrentar um longo caminho algo perigoso e escorregadio, onde não são infrequentes os ataques por parte dos muitos macacos que o habitam. Nós contentamo-nos em vê-lo cá de baixo, até porque se o subíssemos não teríamos tempo para o resto.


03/08/17

Kyaikhtiyo


Kyaikhtiyo, também conhecida como "Golden Rock", é uma montanha no estado Mon, no leste de Myanmar. É um conhecido local de peregrinação budista, onde um cabelo de buda segura uma imponente rocha dourada que parece desafiar da gravidade enquanto serve de base ao pagode propriamente dito.

É relativamente fácil lá chegar, havendo mesmo tours de um dia a partir de Yangon. No entanto, recomendo vivamente a ida até Hpa-An, pelo menos, pelo que é um bom sítio para uma paragem. As opções de alojamento são algo escassas, nós ficamos no Eternity Resort em Kinmun, mesmo à saída do povoado em direcção ao grande atractivo. O hotel em si, não sendo nada de especial, era limpo, relativamente moderno e tinha um staff atencioso. As opções de restauração, no centro de Kyaikhtiyo, não são tão escassas mas servem mais ou menos a mesma coisa em todo lado e, à data da nossa visita, poucos restaurantes tinham condições razoáveis. Ainda no que concerne à logística, é possível comprar bilhetes de autocarro para praticamente qualquer ponto do país, embora a maior parte dos que partem em direcção a ocidente passem por Yangon.



Como noutros locais do país, os locais acorrem a este local para colar folhas de ouro nesse mesmo rochedo. Há ainda a crença pagã que aqueles quem subirem 3 vezes consecutivas o monte pelo seu pé irão alcançar o reconhecimento e a fortuna.

No entanto, o melhor da festa é mesmo a hilariante, embora algo perigosa, subida motorizada do monte de 1100m de altitude. Há inúmeros camiões de caixa aberta com várias filas de bancos corridos afixados custa . Cada camião só parte, seja na subida ou na descida, quando está cheio e com alguns passageiros pendurados na traseira. O bilhete para visitar o pagode (que inclui a viagem de camião) custa 6000 kyats. Quem não quiser subir os últimos metros, pode pagar a locais para o levarem literalmente aos ombros.



À chegada, primeiro atravessa-se um pequeno mercado de souvenirs e snacks, prosseguindo para o recinto onde se encontra a rocha. Antes de alcançar, passa-se por algumas versões em miniatura, bem como por algumas salas de oração no lado oposto. As vistas são espantosas mas não pensem passar lá muito tempo pois praticamente não há sombra e o no cume do monte o sol é implacável.







A rocha "original", encontra-se numa pequena plataforma isolada por um portão com detetor de metais e um segurança. A partir daqui, só os homens - maioritariamente monges - podem passar e colar as suas folhas de ouro no rochedo.





22/07/17

Bago

Bago é hoje em dia uma pequena cidade com menos de 300 mil habitantes, situada a nordeste de Yangon. No entanto, esta cidade já foi uma importante capital do reino de Pegu, antigo nome da cidade. Este foi também um dos reinos que maior interacção teve com exploradores e mercenários portugueses, que ajudaram a conquistar e reconquistar, ao serviço de diferentes reinos. Primeiro Filipe de Brito e Nicote conquistou-a ao serviço do Reino de Arracão, ao lado de Salvador Ribeiro de Sousa. O mercenário português mais conhecido de Myanmar, Filipe de Brito, viria mesmo a ser nomeado rei pelos habitantes locais.

Com o passar do tempo, Bago foi perdendo relevância e hoje em dia, embora seja a 5ª cidade mais populosa do país e se mantenha como capital da província homónima, é uma cidade pacata dedicada acima de tudo ao culto religioso.



É fácil chegar a Bago a partir de Yangon. A opção mais segura e económica é o comboio, desde que não haja nenhum acidente como foi o caso do nosso. De qualquer modo ele anda tão devagar o dito acidente não teve consequências de maior, exceptuando a paragem de quase 1h até removerem o carro colhido (em boa verdade foi mais "um toque") da linha. Alternativamente, podem alugar um táxi (boa opção se quiserem fazer uma day-trip) ou ir de autocarro.

Sendo uma cidade geralmente visitada em tours de um dia ou de passagem, não há muitas infraestruturas direcionadas ao turista. É conveniente negociar um tuk-tuk pois boa parte dos atractivos ficam afastados entre si. Também foi a partir daqui que começamos a ver gradualmente cada vez menos turistas, o que tornou toda a experiência no país ainda mais autêntica.



Myanmar é um país de budas. Não que os seus vizinhos a oriente também não o sejam, mas Myanmar bate qualquer um deles, quer em número, quer em tamanho. E Bago não é excepção, voltando a apresentar alguns dos maiores "espécimes".

Aquele que mais se destaca, até por ser diferente dos demais, é o Kyaikpun: 4 budas de 27m de altura num quadrado, de costas voltadas entre si. Apesar de parecer de construção recente, a "culpa" é dos restauros recentes desta estrutura originalmente construída no século VII.






Bem no centro da cidade, fica o Mahazedi Paya, com a sua estupa dourada assente numa base branca. À semelhança de outras estruturas do género no país, foi destruído e reconstruído diversas vezes, geralmente por danos causados por terramotos. Uma outra estupa dourada que geralmente até recebe pouco destaque, é em boa verdade a mais alta do país (sim, mais alta do que o Shwedagon em Yangon) com os seus imponentes 111m. À data a nossa visita, encontrava-se em restauro e com um aspecto caricato:






Um outro "marco" desta cidade é o terceiro maior buda reclinado do país, o Shwethalyaung, que se encontra alojado num espaço coberto. As "almofadas" onde apoia a cabeça estão cobertas de pedras preciosas.



Um outro buda reclinado mas ao ar livre, completava o pódio da competição de mudas que parecia haver em quase todas as cidades do país, o Myathalyaung.





Relativamente escondido numa das zonas mais pobres da cidade, fica o Templo da Cobra, um pequeno templo que aloja uma piton monstruosa mas aparentemente sedada, que "acompanha" as preces do seu cuidador a troco de pouco dinheiro. Embora seja num local algo degradado e o templo não seja arquitetonicamente atractivo, vale a pena a visita pois vê-se que é um templo concorrido pelos locais pouco habituado a receber turistas.





Nas imediações há um pequeno templo de onde é visível o Kanbawzathadi, uma reconstrução recente do antigo palácio real, que se encontrava fechada à data da nossa visita. Atenção que este monumento não está incluído no bilhete geral da zona arqueológica de Bago - que custa 10 mil kyats - sendo necessário adquirir um bilhete independente com o custo de 4 USD, à data da nossa visita.









Por fim, o momento mais divertido do dia, a visita ao algo pagão Hinthar Gon Paya. É um templo construído pelo povo Mon em honra a uma ave mitológica, num local sagrado. Para além do templo em si, que não é nada de extraordinário, há uma pequena cave essa sim, bastante interessante. Aqui encontramos um grupo de homens como que em trance a tocar música tradicional enquanto ladyboys e senhoras idosas cuidavam das oferendas ao templo. Estas últimas, fizeram questão de nos convidar para uma pratada de um qualquer cereal castanho escuro parecido com arroz integral com coco fresco desfiado por cima, terminando com tóping de açúcar de cana em pó. Afinal de contas não é só em budas que Myanmar é imbatível, também o é na generosidade.