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10/02/15

Delta do Mekong



O Delta do Mekong foi o nosso último destino e rota de saída do Vietname. Esta região, uma das mais densamente povoadas e diversificadas do país, é o garante da sobrevivência para cerca de 17 milhões de pessoas. No passado a região pertenceu aos reinos Khmer (actual Camboja) e Champa, acabando por ser conquistada em finais do século XVII pelo Vietname. Viria durante a ocupação francesa a chamar-se "Cochinchina". A diversidade étnica e religiosa desta região é também ela espantosa, considerando que estamos num pais maioritariamente budista. Há inclusive religiões que misturam elementos das várias religiões, incluindo o Cristianismo, Islão e Budismo.

Igreja Católica

Mesquita em Vinh Xuong, "penso eu de que"!

A região tem início imediatamente a Ocidente de Saigão mas é precisa uma viagem de cerca de duas horas de autocarro até Cai Be, ponto de partida do nosso barco para visitar o mercado flutuante. Há vários mercados por onde optar dependendo da duração que tivermos disponível para a tour bem como o destino "final". Os mercados geralmente visitados são Cai Rang (Can Tho), My Tho, Cai Be e Ben Tre. Os dois primeiros são maiores mas mais turísticos, a nós calhou-nos Cai Be, pois era o que fazia parte da tour que "precisávamos" para completar o percurso por terra e água até Phnom Penh, no Camboja. À data, esta tour de 2 dias pela The Sinh Tourist custou-nos cerca de 56 euros por pessoa. Actualmente o preço ronda os 80€, não se por mera desvalorização do Euro, se por terem eventualmente subido o preço.


Parte do maior "horto" flutuante que vi até hoje

"Take away" ou se calhar "Take aboard"
O tempo não ajudou muito no início da viagem - estávamos na rainy season - com algumas chuvadas fortes que embora não fosse incómodas para nós que estávamos abrigados no barco, era reduzido o número de barcos que estivessem a "operar". Ainda assim vimos acima de tudo trocas entre locais e não uma "operação" direcionada ao turista, embora um ou outro barco tentasse a sua sorte para vender frutas ou comidas.

Com a melhoria meteorológica progredimos por canais ladeados de casas quase na água e atravessados por pequenas pontes, até que atracamos numa fábrica tradicional, diria mesmo rudimentar, de papel de arroz, pipocas de arroz e caramelos. Também se vendia whisky de arroz com cobras e escorpiões dentro das garrafas.

"Pop-rice" no início 
Já prontas, as pipocas de arroz

Adicionar legenda

Caramelo 
O mesmo já a secar para depois ser cortado em pequenos rebuçados
Papel de arroz acabadinho de fazer e a secar! Já dá para entender as "marcas" no papel...
Whisky de arroz "fortalecido"
Entretanto, uma senhora idosa ia preparando o almoço deles:




Seguiu-se o (nosso) almoço num restaurante à beira rio com um espetáculo musical de qualidade duvidosa mas bastante animado e "divertido".



Regressamos ao barco e seguimos até Vinh Long, onde desembarcamos e parte das pessoas, que só tinham ido na tour de um dia, regressaram de mini-bus a Saigão. Nós, seguimos com mais 8 ou 9 pessoas e o nosso guia de carrinha - incluindo travessia de ferry - até Chau Doc, onde jantamos e pernoitamos num 3 ou 4 hotéis muito básicos que há na cidade. Há um 4 estrelas de luxo junto ao rio mas era bem caro para os padrões vietnamitas. Nós optamos por ir lá beber uma cerveja no final do jantar com o nosso grupo. Antes de jantar ainda fomos a tempo de um pequeno mercado mesmo em frente ao hotel:



Ruas de Chau Doc à noite
No segundo dia, iniciou-se um dos dias mais intrépidos da viagem. De manhã e com bom tempo, iniciamos um passeio em pequenos barcos com mulheres aos remos até pequenas aldeias flutuantes de pescadores, onde de certa forma toda a aldeia era um mercado, viveiros de peixes existiam mesmo por debaixo das casas e a "estrada" era onde se pescava.

Remadoras
"local" food




Aqui tudo "rola" sobre água
...excepto a bicicleta, creio eu! 


Uns pescam no rio...
Outros têm os peixes na engorda literalmente por baixo de casa
Assim que saímos do barco, o nosso guia deixou-nos numa pequena embarcação que - achávamos nós - nos iria levar até ao "High Speed Boat" que nos transportaria até Phnom Penh:

A nossa "barcaça" ao lado de uma que levou - até à fronteira - alguém com mais sorte (e que provavelmente se dispôs a gastar mais) do que nós...
Interior do barco, por esta altura tapado na lateral por causa da chuva; este foi também o momento em que o barco, após ameaçar encalhar num "atalho" aberto pelas cheias, ficou com a traseira presa numa ponte relativamente baixa: fomos todos para a traseira, empurramos o barco com apoio na ponte e ele lá passou!!!
Pois bem, este era o barco que nos levaria até à fronteira, a região mais "selvagem" onde as casas são construídas sempre em cima de estacas por causa das frequentes inundações e onde crianças brincam na mesma água onde búfalos de água se banham tranquilamente. Após uma pequena paragem que até deu jeito para almoçar no edifício de controlo fronteiriço, prosseguimos a aventura em terras de Angkor, finalmente num barco digno desse nome. Mais 3h de barco e chegávamos finalmente a terra, agora para novo controlo fronteiriço e pagamento do respectivo visto. Terminava a nossa aventura no Mekong e no Vietname, iniciava-se uma nova etapa no Camboja, o seu "pequeno irmão". Faltava 1h30 de carrinha até uma Phnom Penh alagada.

A parte mais "selvagem" do percurso, um "outro" Vietname
"ferry" local 
Casas com diques, por causa das cheias

ahhhhh... fresquinho!
Vista do posto fronteiriço de um dos ramos do Delta do Mekong: Olá Camboja!

04/02/15

Ho Chi Minh (Saigão)



Ho Chi Minh, também conhecida como Saigão, foi renomeada em honra do líder do Vietname do Norte aquando da sua queda na Guerra do Vietname.

Chegamos de avião pela VietJet, companhia low cost do Vietname. Pagamos cercas de 35 euros pelos 2 voos, já com malas incluídas. Há a opção do comboio e do autocarro mas para tentar economizar algum tempo optamos por voar. 

Saigão é a maior e mais desenvolvida cidade do Vietname. É também aquela onde vivem mais estrangeiros. No centro histórico encontramos principalmente arquitectura colonial francesa, salpicada por alguns arranhas-céus, mais concentrados no distrito financeiro. O trânsito é ainda mais caótico do que em Hanói, principalmente nas horas de ponta. Ao cair da noite parece quase impossível circular pela cidade. O vídeo abaixo retrata uma "espécie de rotunda" em hora de ponta:


Quase não há passadeiras e as que existem raramente são respeitadas, restando-nos entregar a nossa sorte ao buda e tentar ir atravessando sinalizando com a mão, muito lentamente mas evitando parar e nunca voltar para trás.

Por ser próximo do nosso hotel, começamos por explorar o mercado Ben Thanh. É um dos maiores do sudeste asiático e ainda mantém uma aparência bastante típica. No entanto, grande parte das lojas já estão mais vocacionadas para o turista, sendo o assédio constante. Há de tudo um pouco, desde bugigangas a roupa, passando por comidas - e bancas de refeições, café, chá, joias, tecnologia, esculturas, etc ... enfim, de tudo um pouco mesmo. Perdemos algum tempo a fotografar o que nos chamou mais a atenção até que iniciamos o nosso "tour" pedonal pelo centro da cidade... 

Ben Thanh Market









Pouco depois, deparamo-nos com um mercado de rua, este sim, dedicado quase em exclusivo aos locais. Lá conseguimos com a ajuda de algumas fotos das aulas de culinária de Hoi An comprar farinha para Banh Xeo.








Saigão e Hanói em menor escala, são conhecidas pela sua "confusão" de cabos. Nós tivemos a sorte de assistir a uma "reparação".



Seguimos para o bairro francês, uma parte surpreendentemente calma da cidade e com uma aparência bastante europeia. Aqui encontramos a Ópera, a Catedral de Notre Dame e a Câmara Municipal, entre outras atracções.

Ópera

Câmara Municipal







Prosseguimos em direcção a um parque que leva ao Palácio da Reunificação, antigo parlamento do Vietname do Sul e cuja invasão marcou um ponto final na guerra. Terminamos o roteiro numa rotunda sem grande interesse além de um fontanário aparentemente desactivado. 

Os 2 últimos trechos do percurso descrito são aqueles em que a propaganda é mais visível, provavelmente pela carga simbólica da cidade.

Sede dos Correios


Palácio da Reunificação

Já tínhamos sido "alertados" para o facto de a comida em Saigão não estar ao nível de outras cidades como Hoi An ou Hanói e foi precisamente a sensação com que ficamos. Há mais restaurantes ao estilo "ocidental" mas mesmo assim optamos pelos mais típicos, em especial aqueles com muitos locais. Comia-se mas não era a mesma coisa.


 Regressamos à zona do hotel e demos um saltinho à rua mais turística, onde há bares e lojas a cada porta. Aproveitamos para jantar e tratar de levantar os bilhetes que já tínhamos reservado com a "The Sinh Tourist", para a nossa viagem pelo delta do mekong até Phnom Penh, no Camboja, no dia seguinte.

Como não tínhamos mais tempo na cidade não pudemos ir alguns museus dedicados à guerra e em especial os túneis de Cu Chi. Os útlimos ficam nos arredores da cidade e é possível visitar em meio dia ou num dia inteiro, dependendo do que pretenderem fazer. Podem simplesmente ver os túneis usados na guerra, podem eventualmente descer um ou outro - são muito apertados e baixos, feitos para Vietnamitas de metro e meio - ou mesmo disparar uma AK47 ou lançar umas granadas.

Muitos dos turistas visitam também o Delta do Mekong a partir de Saigão (e a maior parte com regresso a Saigão). Mais uma vez, há tours de um, dois ou mais dias, dependendo de quantas aldeias queremos visitar e de quão longe queremos ir. Há ainda a opção de fazer grande parte do caminho de autocarro ou tentar fazer o máximo por barco. Há uma imensidão de agências que oferecem estes tours e aqui aplica-se a regra geral do Vietname (e de grande parte da Ásia): geralmente o que pagas é proporcional ao que te vão proporcionar. Dois tours com aparentemente o mesmo percurso mas preços diferentes serão efectivamente diferentes: desde o barco (incluindo o número de passageiros) e refeições, ao número de atracções e tempo disponível para apreciar as mesmas.