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06/03/13

Sibiu (Hermannstadt)

Sibiu, também chamada Hermannstadt, é um dos principais centros culturais da Transilvânia e da própria Roménia, tendo sido Capital Europeia da Cultura em 2007.

A viagem para Sibiu, proveniente de Timisoara, foi feita de autocarro. Era relativamente moderno e a estrada era bastante razoável, a viagem durou cerca de 5h. Alguns trechos mais montanhosos demoraram mais mas foram também os mais compensadores em termos paisagísticos. Já perto de Sibiu, ainda tivemos a oportunidade de ver 2 camiões TIR capotados num espaço de 1 ou 2 kms.

Os infindáveis campos de Girassol...

 Chegados a Sibiu ao final da tarde, caminhamos até ao Hotel Ibis, excelentemente localizado e mais barato do que a maior parte das alternativas. A vista em nada ficava a dever aos hoteis mais caros circundantes:

Pena a janela não abrir... dá pra ter a ideia.
 Após o banho da praxe, seguimos para o centro histórico onde jantamos naquele que julgávamos ser o melhor restaurante que iríamos encontrar no país, Crama Sibiul Vechia. A entrada é um pouco escondida e o restaurante numa cave em pedra, em forma de tunel. Há música tradicional ao vivo, à base sopros. Muito bom, comida, música, atendimento, etc.

Pastrami e Polenta
 De seguida, uma pequena volta pelo centro, que foi o suficiente para encontrarmos dois "jovens" franceses que tinham sido expulsos do seu autocarro por trazerem um cão vadio desde a Grécia (era o protector de um deles quando dormiam na rua ou em jardins) e se recusarem a transportá-lo numa jaula. Curiosamente tinham outro autocarro no dia seguinte (queriam ir para Paris porque o dinheiro estava mesmo mesmo no fim), já tinham os bilhetes pagos (tal como os que anteriores) e continuavam sem jaula para o cão, dizendo que este ia ao lado deles.
  Acabamos a noite no Zen Garden Club, que tem uma vista explêndida, mesmo em frente aos principais hotéis e fomos dormir.

 No dia seguinte saímos cedo para visitar a cidade. O centro histórico é muito bonito, para mim provavelmente a cidade mais bonita da Roménia (das que conheci). Partes da cidade são medievais, outras da era do Império Austro-Húngaro. Anda-se bem a pé e conseguimos ver as principais atracções da cidade até depois ao almoço.


Piata Mare
parte da Catedral Evangélica, em obras de restauro

Fachada da Catedral Metropolitana (Ortodoxa) 
Casamento no interior
Frescos do interior
Pinturas numa entrada de um edifício (penso que religioso)

"Drácula Style"
Piata Mica (Pequena) ; por baixo da Torre, a passagem para a Piata Mare (Grande)

Perto da Piata Mica



 A cidade tem muitos museus mas tinhamos que optar... acabamos por decidir-nos pelo Muzeul Civilizației Populare Tradiționale, a 12 kms da do centro. Fomos de taxi, não me lembro do preço mas era barato desde que negociado de antemão.

 Na verdade o museu é um parque ao ar livre, com uma grande extensão, repleto de casas tradicionais antigas, moínhos, e alfaias agrícolas em redor de um lago. Fomos ao fim de semana e deu para perceber que apesar de receber alguns turistas estrangeiros, a maioria eram nacionais ou locais, sendo local de eleição para festas de casamento (vimos pelo menos 3, sendo que num deles a noiva logo à chegada foi dar uma volta de burro pelo parque sozinha - e nunca mais ninguém a viu).

 Recomendamos vivamente a visita ao museu, visto que dizem ser muito maior e melhor que o de Bucareste e mais barato. Um pormenor, à entrada foi a primeira vez que nos cobraram uma taxa pela máquina fotográfica (1 euro). Pagamos para a máquina mas não para o iPhone, o que obviamente se revelou um desperdício uma vez que tendo em conta a dimensão do parque ninguém tenta sequer controlar uma máquina que seja.

 















Casamento e respectivo catering:




 No final da tarde, estafados após ter visto os 2/3 mais interessantes do parque, regressamos à cidade, banho e jantar, desta feita na outra ponta da Piata Mica. De seguido tentamos explorar um pouco mais a noite de Sibiu mas rapidamente percebemos que a moda por aquelas bandas são os "típicos" pubs ingleses, em que no entanto a música parou nos inícios de 90. Se de início ainda tem alguma piada relembrar hits da nossa infância, apreciar o macho latino (romeno) louco de 1,5m a dançar qual Michael Jackson incessantemente ao lado da nossa mesa perante duas bifas aparentemente fufas e um gajo com pinta de alemão, com 2 m de altura, a tentar matar gafanhotos gigantes que ia vendo pelo palco (onde se juntam a dançar e tão rapidamente esvazia como enche, consoante a escolha o sonoro) entre outras típicas de quem está a alucinar, ao final de algum tempo e com o avançar da hora (após 3 pubs, todos eles próximos), decidimos procurar um sítio diferente e que estivesse aberto até mais tarde. Foi aí que começamos a perceber que na Roménia a noite se transfere sempre a certa altura para as discotecas nas aldeias... medo, muito medo... optamos por ficar na cidade e regressar ao hotel, pois o dia seguinte, o da partida, começava cedo.

07/11/12

Biertan


Igreja Fortificada de Biertan vista da praça central
 Antes do relato de Sibiu, escrevo hoje sobre Biertan, em tempos uma das mais importantes igrejas fortificadas Saxónicas da Transilvânia. Hoje em dia, é uma pequena aldeia simpática, com apenas 1600 habitantes.
 Fica a cerca de 20 minutos de carro de Sighisoara e a melhor forma de lá ir, para quem não está de carro, é de taxi.
 Convém arranjar o negócio com antecedência, de preferência com alguém de lá, para evitar preços inflaccionados. Assim fizemos, pedimos no alojamento de Sighisoara e arranjaram-nos um taxi que nos levaria lá, esperaria uma hora e faria o regresso, por 20 ou 25 euros, não me recordo ao certo.

 Uma hora é tempo mais do que suficiente para visitar igreja fortificada e arredores. Vale também a pena para conhecer um pouco da Roménia rural, pois embora esta receba alguns turistas, o aspecto e estilo de vida dos locais é bastante diferente, assim como os preços e a forma curiosa como contemplam os visitantes.

 Ficam algumas fotos:



Uma da torres
Interior da Igreja

Biertan
E pronto, regresso a Sighisoara!

13/09/12

Brasov (Rasnov, Bran e Peles)



 O destino de hoje é Brasov, Transilvânia para uns, Roménia para outros.
 É a cidade onde viveu durante muitos anos Vlad, O Empalador, embora este tenha nascido e vivido os primeiros anos da sua vida em Sighisoara, também na Transilvânia. Mais tarde, com Bram Stoker passou para a ficção, sendo conhecida de todos a história do Conde Drácula.

 É uma cidade simpática, não muito grande, com cerca de 400 mil habitantes. É também uma cidade que vive muito dos estudantes que à data da nossa visita, estavam de férias.

 À chegada, o primeiro impacto é o de um monte rodeado pela cidade, o Monte Tampa. Neste, há um miradouro e o nome da cidade iluminado, bem ao estilo de Hollywood.

Monte Tampa, visto do nosso alojamento.
 Ao contrário da Bucareste, a cidade é bastante limpa e organizada. O centro histórico tem várias avenidas pedonais e aquelas em que passam carros, não são de loucos como as da capital.

 Chegamos de comboio, no regional que a Ana postou anteriormente. Na viagem tivemos a companhia de um senhor velhote muito simpático, que insistia em assistir aos nossos jogos de cartas. A certa altura, oferece-nos uma garrafa de cerveja, de plástico. Tivemos que aceitar. A questão é que a garrafa, como se não bastasse vir de uma mala de onde despontavam vagens de feijão verde, não estava selada e a "cerveja" parecia algo mais escura e sem gás. Quando abri a garrafa, percebi o porquê... não era cerveja mas sim Palinka caseira, uma bebida espirituosa muito parecida com a nossa aguardente. Lá teve que ser, de manhã e em jejum, uns golinhos até o senhor simpático aceitar receber a garrafa de volta. Escusado será dizer, que passou o resto da viagem a perguntar se não queríamos mais um bocadinho.

 À chegada, uma fila enorme de táxis. A senhora do alojamento, a Terezia, avisou-nos quais as companhias fiáveis e do preço até ao alojamento, na rua Nicolae Balcescu, no centro. As companhias referidas pela mesma eram a Martax, TOD e RO, e a viagem não deveria custar mais do que 10 a 12 lei (2euros e pouco). Nessa fila de táxis, constatamos que eram todos praticamente iguais, brancos e sem nenhum símbolo evidente que os distinguisse. Percebemos mais tarde, que efectivamente tinham o nome da companhia de lado, por cima da roda dianteira, mas no meio de uns números e pouco chamativo. O primeiro taxista queria-nos cobrar 20 lei, pelo que tentamos regatear sem sucesso. Passamos então a um dos táxis seguintes - na Roménia apesar de haver posturas de táxis em tudo semelhantes às nossas, a pessoa pode escolher qual quer apanhar, independentemente da posição do mesmo na fila. Assim, lá conseguimos chegar ao alojamento pelos ditos 12 lei.

 Instalamo-nos então na Casa Terizia, que não chegava a 10 euros por pessoa, em quarto duplo. O quarto não era nada de especial mas era limpo, silencioso e bem localizado. O senão, é que do outro lado da sala, viviam os pais da dita senhora mas só os vimos no dia em que saímos ao entregar a chave.

 Saímos então para uma primeira volta pelo centro, a destacar a belíssima Praça Sfatalui e a Igreja Negra que infelizmente se encontrava em obras e como tal não pudemos entrar.

Ana Costa na Praça Sfatalui, com a Igreja Negra ao fundo
Em frente à Igreja Negra
Ana Costa em frente à Casa Sfatului, na praça homónima
 Como podem constatar pelas fotos, o Sol já se punha e já não deu tempo para muita mais do que um passeio pelas ruas do centro histórico. Como tínhamos "almoçado" por volta das 17h, tal como muitos romenos faziam o seu "segundo almoço" (esta gente está sempre a comer e é magra: ténias?!), recolhemos novamente ao alojamento mas não sem antes tratarmos de alugar um carro para o dia seguinte. Um Opel Zafira, em bom estado, custou-nos 40 euros, com 200€ de caução bloqueados no cartão.

 De manhã cedo, como combinado, lá estava o carro à nossa espera mesmo em frente ao nosso alojamento. Se quiserem o contacto do Daniel, senhor que nos levou o carro, é o +40 (731) 321 400. 

 Partimos então em direcção a Poiana, a estância de montanha nas imediações da cidade, que nos deixou com vontade de regressar no Inverno para praticar desportos de Inverno. No Verão, é uma zona verdejante, lindíssima mas da qual infelizmente não temos fotografias pois tínhamos noção que tempo ia ser muito apertado, e como tal não paramos. O nosso destino era, afinal de contas, visitar 3 dos muitos castelos que a Transivlânia tem para oferecer aos seus visitantes.

 Seguimos para Rasnov, onde se localizava o primeiro castelo a visitar. À chegada, estacionamos o carro no parque (gratuito apesar das girafas e máquinas de bilhetes desactivadas) e compramos um bilhete de 2€ que julgavamos ser de subida e acesso ao castelo. Errado. O bilhete era apenas para a subida, numas carruagens puxadas por um tractor agrícola!!!

Algures entre Poiana e Rasnov
Dito tractor agrícola
 Subimos então a encosta no tractor, não que a viagem seja longa ou difícil mas já estava paga.
 O castelo fica num monte com vistas magníficas para Rasnov, assim como para os Cárpatos.
 A entrada rondava também ela os 2€, se não estou em erro.

Castelo de Rasnov
Rasnov e os Cárpatos
Rasnov
No interior das ruinas
Interior do Castelo
 À saída, referência ainda para os cestinhos de frutos vermelhos, baratos (cerca de 1€) e apetitosos!!!


 De seguida, saímos com destino a Bran, terra do mais famoso castelo de Vlad, O Empalador. A viagem é curta mas cuidado com a estrada, e acima de tudo, com os condutores locais que desrespeitam as mais elementares regras de trânsito. Estes parecem ainda ter uma especial apetência para ultrapassar nas curvas cerradas sem visibilidade.

 O pequeno vilarejo está já infestado de turistas dos quatro cantos do mundo, assim como por todo o tipo de negócio associado ao mesmo. Apesar de aqui existir grande variedade souvernirs, desaconselho vivamente que façam aqui as vossas compras pois os preços estão bastante inflacionados.

 O castelo em si, é bonito por fora mas nada de especial no seu interior, sendo que algumas das salas contém apenas informação relativa à mitologia associada ao Drácula. Como chovia e trovoava, apesar do intenso calor, o cenário parecia perfeito!

Castelo Bran, visto ao longe.
Vista da base do Castelo, lembra-me a Suiça
Sala Interior do Castelo


Pátio e varandas interiores


 
Escusado será dizer para que servia...
 À saída, corremos para o carro pois voltava a chover. Apenas um reparo para os senhores que "gerem" o estacionamento circundante. Este apesar de ter placas a indicar que o parque, aparentemente público, é pago, tentam extorquir antecipadamente quantias elevadas aos turistas afirmando que são necessárias pelo menos 2 horas para ver o castelo. Pura mentira, uma hora chega perfeitamente. Além do mais, duvido (muito) que o seu trabalho seja oficial ou até mesmo legal.

 De volta ao carro, partimos então para a região de Sinaia, outrora a região turística mais badalada entre as elites do país. O nosso objectivo era visitar o Castelo de Peles (um palácio para os nossos padrões, e não um castelo), construído pelo Império Austro-Hungaro. Foi o primeiro palácio electrificado da Europa e contava todo o tipo de "modernices" para a altura, nomeadamente sala de cinema, elevador e sistema de aspiração central!
 Chegamos mesmo em cima da hora da última visita, que já só permitia a visita do piso inferior. O bilhete até era acessivel, 20 e poucos lei (pouco mais de 4€), mas a câmara fotográfica também pagava bilhete, estupidamente mais caro do que bilhete pessoal (6€). Como já tínhamos caído neste "esquema" antes  e ninguém controlava nada, decidimos arriscar, tal como os demais visitantes. A visita é guiada e há uma série de "cães de fila" lá dentro, pelo que ninguém do nosso grupo (cerca de 30 pessoas) tirou uma foto que fosse. Uma pena, porque é brutal! Certamente perdem mais do que ganham com esta imposição.
 Ficam as fotos do exterior:




Atenção aos ursos!!!





 No final da visita, regressamos a Brasov. A viagem, que já não era tão curta quanto isso - afinal de contas passamos o dia a afastar-nos de Brasov - tornou-se ainda mais longa com um engarrafamento causado por obras. Mas nada demais e lá chegamos a Brasov. 
 Acabamos a noite a jantar num restaurante de um hotel na avenida pedonal principal a ouvir Cesária Évora! Um copo num dos muitos bares da cidade, uma última volta pelas ruas até que conhecemos 3 rapazes "nativos" simpáticos numa esplanada. Ao descobrirem que éramos de Portugal, começaram imediatamente a falar da única coisa pela qual Portugal parece ser conhecido no mundo por estes dias: Futebol. Passamos o resto da noite no Schwarz Pub, o único aberto àquela hora no centro, a confraternizar. Ficamos com o contacto e regressamos ao alojamento.
 No dia seguinte, partíamos para Bucareste com vontade de regressar a Brasov, onde certamente ficou muito por explorar.