25/06/14

Baía de Ha Long




Pois é, se calhar esperavam pela parte II de Hanoi mas não, dividi mesmo a coisa em partes por causa da nossa visita à Baía de Ha Long. O nome significa algo como "Baía do Dragão Descendente". Não se sabe ao certo o porquê do mesmo mas pensa-se que seja pelos milhares de formações rochosas e pequenas ilhas que a preenchem, assemelhando-se assim aos espinhos lombares de um dragão nas águas - facto também reportado por alguns dos primeiros exploradores europeus a chegar ao Vietname - sendo que os primeiros fomos nós, os portugueses;)

Nomes e lendas aparte, é uma das principais atracções turísticas do país e pode-se revelar algo traiçoeira a definição desta parte do percurso. No nosso caso, como tínhamos tudo organizado ao dia de forma a melhor aproveitar o tempo, optamos pelo tour de 2 dias, 1 noite, com dormida no barco. Após uma longa pesquisa online acabamos por perceber que os tours são quase todos eles (pelo menos os mais "comuns" e acessíveis são todos) geridos e controlados pelo estado, pelo que o preço apenas varia em função da duração e da qualidade do barco. Já avisados, optamos pelo intermédio, pois lemos muitas histórias de terror com os tours mais baratos, além de que são mais propensos a cancelamentos. A parte mais penosa foi mesmo ter que optar por Ha Long em detrimento de Sapa, uma outra atracção no norte do Vietname. Vidas! Assim sempre temos bons motivos para regressar.

Restaurantes de rua a começar a labuta bem cedo!

Assim, marcamos a tour com o nosso hotel em Hanoi e lá partimos de manhã cedo num carrinha para Ha Long.  À chegada o tempo até parecia aceitável, como podem comprovar pela foto imediatamente abaixo, desde cedo nos apercebemos que havia algum problema.


Após uma longa espera em que aproveitamos para tirar algumas fotos no cais, lá nos explicaram que esperavam uma tempestade nessa noite e como tal provavelmente não seria possível sair nesse dia, embora só depois do almoço tivessem a confirmação. Após esta valente seca e perante a adivinhável contrariedade, lá fomos almoçar à cidade de Ha Long, num restaurante com vários pisos e salas destinado quase como que em exclusivo a amontoar grupos das tours de barco pela baía. Após esse almoço mal amanhado, e após bastante insistência do grupo, lá veio a decisão final (que certamente já estaria tomada antes do almoço) de que não seria possível partir nesse dia.

Posto isto, foram dadas várias opções em alternativa, de forma a que cada um pudesse decidir qual a melhor para o seu itinerário. Nós como tínhamos tudo marcado em diante, tínhamos que nos cingir a uma visita de um só dia. A questão era se ficávamos em Halong ou se regressávamos a Hanoi para voltar no dia seguinte (são cerca de 4h para cada lado). Lá optamos, inteligentemente, por ficar em Ha Long até ao dia seguinte. Evitamos cerca de 8h de viagem e sempre podíamos relaxar um pouco longe da confusão. Escolhemos um hotel mesmo ao lado do restaurante onde almoçamos e dedicamos então o pouco que restava da tarde para fazer um reconhecimento básico do sítio.

A cidade de Ha Long não é o pardieiro que por vezes nos aparece descrito em alguns sites. Embora seja evidente o estrago causado pelo crescimento desregrado de hotéis, alguns deles entretanto decrépitos, a baía em si mantém a sua beleza e a sua praia, não sendo nem das melhores nem das mais limpas onde estive, era quase deserta nessa altura do ano e água, apesar do tempo, bem quente!

Avenida da marginal

Ruas impecavelmente limpas
Vista da praia
Família local a dar-lhe bem na Bia! 
E a praia é toda nossa!
Por do Sol sobre o pontão
Praia e Ha Long ao anoitecer vista do pontão

Com o anoitecer, seguimos para uma tasquinha (de várias) tradicional para provarmos pho pela primeira vez:


Pho Ga (pho de galinha)
Após esta maravilhosa sopa que em si é uma valente refeição, espaço para 2 ou 3 cervejolas numa espécie de "disco" ao ar livre, enquanto passava uma valente chuvada (o único sinal da esperada "tempestade" que vislumbramos) e um ou outro rato que se abrigava também da bátega.


Cheap Beer
Após uma noite relativamente bem dormida no Alex Hotel por 17 euros, lá fomos para o ponto de encontro, perto do embarque. Reencontramos alguns dos turistas do dia anterior, uns tinham retornado a Hanoi, outros tinham ficado em Ha Long... uns iam por 2 dias, outros como nós, já só tinham um.

"Felizmente" o tempo aparentemente pior do que na véspera não foi impeditivo para a partida do nosso tour, uma vez que sendo apenas de um dia é mais curto e limita-se a partes mais interiores da baía, logo mais protegida.

Começou assim a viagem pela baía...

Rumo à tempestade!
O tempo que teimava em não melhorar...

Primeira paragem

Ao fim de uns 30/45 minutos chegamos à primeira paragem programada, uma pequena ilha onde fica a gruta Thien Cung. A visita ainda demora, mais se tiverem um grande grupo de chineses à vossa frente, mas vale a pena, apesar do excesso de luzes coloridas.

O "tal" exagero de luzes...

Mesmas cores, agora naturais

Seguimos então viagem pelas ilhas, até chegarmos às pequenas aldeias piscatórias flutuantes. Na verdade aquelas onde estivemos pareciam mais um entreposto turístico, dado que servia de base aos vários barcos que iam chegando para um passeio de kayak ou barco a remos. Provavelmente as mais afastadas e mais próximas de Cat Ba serão menos "turísticas" e mais pitorescas.
Ainda assim, é um facto que tinham peixe debaixo das casas (algo que os Vietnamitas aproveitam sempre que possível).


"Fishing Villages"


Última foto antes do ir pro tacho! 


De seguida, lá fomos para aquele que na minha opinião foi o ponto alto da viagem: o passeio de kayak! Inicialmente estava planeado na tour de 2 dias mas o guia acedeu a que o fizéssemos mesmo no tour de um dia. Estava incluído na tour mas tínhamos que pagar uma quantia simbólica para entrar num túnel que dava acesso ao interior de uma das ilhas, magnífico!



Interior do ilhéu
Início do regresso...
Foi uma viagem curta, soube a pouco, mas ficou um cheirinho para um dia voltar para uma tour mais longa. O tempo é que teimava em não melhorar muito, o que nos era um pouco indiferente agora que íamos regressar a Hanoi.
No entanto, é importante referirmos que voltamos a encontrar as pessoas do dia anterior que optaram por tentar novamente a tour de 2 dias/1noite (o mini-bus que os trouxe novamente de Hanoi era o que nos ia levar), para mais tarde nessa mesma noite encontrarmos um casal de chilenos desse mesmo grupo que acabara por não ser autorizado a partir novamente. Ficam avisados, os tours diários saem com facilidade, os que pernoitam no mar correm mais riscos de serem cancelados em caso de mau tempo.

Mini-Bus
Espantalho Vietnamita

Até já, voltamos a Hanoi ;)




03/05/14

Hanoi, parte I

O princípio...

Início de mais uma viagem, com voo até Paris (Orly). Viagem pelos autocarros da Air France (Les Cars) por 19euro por pessoa (comprada antecipadamente online) para o aeroporto Charles de Gaule, onde finalmente apanhamos o nosso voo directo de cerca de 13h até Ho Chi Minh, Vietname. Após tratar de toda a papelada da imigração, finalmente o voo final até Hanoi, maior cidade do Norte do Vietname e sua capital.



Nota acerca dos Vistos

 Para entrar no Vietname é preciso tratar do visto com alguma antecedência. Como não há embaixada do país em Portugal, optamos por tratar do visto online. Várias agências tratam da "invitation letter", a nossa ficou-nos por 26 dollars americanos, para ambos, com múltipla entrada no país. À chegada, é de facto como se de um Visa On Arrival se tratasse, sendo que assim os vistos para 2 pessoas ficaram pelo preço de um na embaixada (sem contar com custos de envio).
 Visa On Arrival propriamente dito (tratado apenas à chegada) não existe.

Hanoi


O impacto à chegada é enorme.

Foi a nossa primeira viagem à Ásia e a sensação era a de estar num filme, quiça num outro mundo.
Hanoi é frenética, um caos organizado repleto de encantos e surpresas.
Chegamos pela hora de almoço aos Old Quarters de Hanoi, fizemos check in no hotel e saímos de imediato para a rua.

Old Quarters
A zona mais antiga da cidade era organizada por ruas dedicadas a cada tipo de negócio. Hoje em dia, mantém-se como importante zona comercial mas a organização de outrora já não é tão evidente.
As construções são algo anárquicas, é frequente verem-se prédios de diferentes alturas e épocas lado a lado, invariavelmente com dezenas de cabos eléctricos emaranhados.



Um mapa é essencial para quem não conhece a cidade, pois há muitas ruas de aparência e nome similar.
Deambulamos em direcção ao lago, enquanto iamos admirando todo o tipo de vendedores que nos circundavam. Esta parte da cidade é das mais fotogénicas do Vietname, praticamente tudo merece ser fotografado e por vezes a maior frustração é mesmo não se conseguir fotografar tudo o que se está a passar em nosso redor. Uma das coisas que impressiona logo à partida é a capacidade de o trânsito fluir e de os peões serem capazes de atravessar a rua sem grande problema pelo meio dele:



O caminho até ao lago Hoan Kiem, onde segundo a lenda uma tartaruga dourada terá dado uma espada mágica a Le Loi (antigo imperador vietnamita) e que após o reconhecimento da independência do país, uma tartaruga gigante teria ermergido do lago levando a espada para as suas profundezas. Lendas aparte, o lago é uma das atracções principais de Hanoi e foram avistadas várias tartarugas de um ou 2 espécies em vias de extinção, senão mesmo extintas.


Ana Costa e o Lago:p


O lago tem duas ilhas, uma maior e ligada a terra pela ponte The Huc na parte norte do lago que aloja o templo Ngoc Son e uma bem mais pequena na ponta oposta do lago, onde fica o templo Thap Rua, dedicado à supracitada tartaruga "especial".

Entrada do templo Ngoc Son
Árvores na ilha do templo
O templo é pequeno mas agradável, reacheado de simbolismo taoista e com clara influência chinesa. Este foi sendo adaptado, assim como a sua "função", ao longo dos tempos. Para nós foi um bom sítio para relaxar um pouco da confusão de Hanoi, num primeiro dia de viagem e em pleno jet-lag. 

Dádivas no "interior" do templo




Locais à sombra, no exterior do templo
 Como já referido, na outra ponta do lago fica um pequeno monumento, o Thap Rua, dedicado à célebre tartaruga. Embora prefira acreditar que ainda existem alguns exemplares da mesma, com o passar do tempo é bem provável que dentro de pouco tempo esteja, infelizmente, extinta. Ainda assim, até lá poderão juntar-se aos locais que observam atentamente o lago na esperança de vislumbrar uma carapaça, sinal de boa sorte para eles.

Thap Rua de fundo
 Seguimos então em direcção aos French Quarters, passando pela Ópera de Hanoi, erigida durante o período colonial francês
Ópera

Preparativos para mais tarde...
Penas de galinha...
...como espanadores!


Um dos belíssimos edifícios do Bairro Francês

Motas no semáforo em hora de ponta...

...motas estacionadas um pouco por todo o lado! 
Thap Rua visto do outro lado do lago
A foto do lago indicia que estávamos a regressar após um extenuante primeiro dia em Hanoi. Haveríamos de recolher ao hotel para bebermos uma cerveja (aproveitando para dar um pequena volta nocturna por Hanoi) antes de ir domir, para no dia seguinte seguirmos para a baía de Halong.
No entanto, sendo Hanoi uma cidade frenética em que há sempre algo novo escondido em cada recanto, fica um report fotográfico das "vendedeiras" de Hanoi:

Peixe sempre fresco :p
De manhã bem cedo a preparar o dia...
  



Restaurante de Rua

E a ÚLTIMA GERAÇÃO de vendedeiras:
compram bananas para fazer que vendem

E por fim, e porque este post é realmente longo, tínhamos uma surpresa reservada para essa visita nocturna da cidade, que afinal era só para comprar umas cervejas... a cena seguinte surgiu do nada, em na rua do nosso hotel ou numa das suas afluentes...






Até já Hanoi!







23/10/13

Primeiro cheirinho...

Ola a todos!
Regressados de mais uma saga, a primeira em solo asiático, fica hoje um cheirinho do que vão ser os próximos posts, espero que gostem...






















Até já!