15/10/17

Industar 50mm f/3.5


Uma panqueca prime de 50mm, que pesa 68g e custa cerca de 20 euros? Sim, estamos a falar das lentes soviéticas Industar 50 e Industar 50-2. Ambas têm 50mm de distância focal, abertura máxima de 3.5 e mínima de 16. A mais antiga, a metalizada Industar 50 começou a ser produzida na década de 50, com uma primeira versão colapsável de encaixe M39 para câmeras rangefinder. São no fundo uma cópia da Tessar inventada por Carl Zeiss no princípio do século XX, com 4 elementos ópticos em 3 grupos. No final da década surge já a Industar 50 igual ao exemplar que tenho e mais tarde começam a ser produzidas as Industar 50-2,  de cor preta, com encaixe M42 para câmeras SLR. Estas foram produzidas em grandes quantidades até à queda da União Soviética, motivo pelo qual há tantas à venda no eBay cerca de 20 euros (por vezes até menos). No OLX também se encontram a 25 euros.

Fotografada pela "irmã", no seu menor tamanho (foco no infinito)
Contrariamente a uma boa parte das lentes desta época, é possível utilizar estas lentes nas modernas câmeras de hoje em dia, com a ajuda de um adaptador que custa cerca de 1 euro (no caso das Industar 50 são precisos 2 adaptadores). Há alguns relatos de lentes que não focam no infinito mas pelo que tenho visto o problema prende-se mais com a espessura dos adaptadores do que com lente propriamente dita. As minhas 3 lentes focam sem problemas e de qualquer modo, mesmo que tenham esse problema, resolve-se facilmente com a ajuda de um elástico de borracha.

Fotografa pela "irmã", no seu maior tamanho (foco a 0,65m)
As vantagens de uma lenta como esta são relativamente óbvias: ocupa muito pouco espaço, não pesa nada, é fácil de utilizar e tem uma qualidade de imagem impressionante se tivermos em conta o preço e o tamanho. Um dos pontos fracos é o anel que controla a abertura, muito pouco ergonómico por se encontrar na parte frontal da lente e como tal, fácil de mover acidentalmente. Com uma abertura máxima de 3.5 também acaba por ser um pouco "lenta", pouco adequada para situações com fraca iluminação. Os outros dois "defeitos" que se lhe podem apontar, é o facto de ser propensa a flare e a vinheta notória em full-frame. Estes dois últimos aspectos podem não ser necessariamente mau, principalmente se pretenderem fotos com um ar mais vintage, a condizer com a lente. Contudo, num sensor crop, a vinheta é mínima ou inexistente. Há ainda quem refira o bokeh como outro aspecto negativo mas até hoje não tenho queixa, principalmente se tivermos em conta a abertura máxima 3.5.

As três "irmãs" com a velhinha Industar 50 numa Zenit ET (com filtro laranja)
Para terem uma ideia do que é possível fazer com ela, deixo-vos algumas fotos tiradas em Jaipur e Pushkar, bem como uma do Tito a despertar das suas sestas de hoje:





08/10/17

Hpa-An



A pequena cidade de Hpa-An é a capital do estado Kayin, também conhecido como Karen, devido à etnia predominante. A cidade em si não tem atractivos que justifiquem a visita. No entanto, a região em que se insere é das mais bonitas onde já estive, com o bónus de ainda receber muito poucos turistas. É possível alugar um taxi por cerca de 25 a 30000 kyats (25/30 USD) para todo o dia ou então um tuk-tuk por um pouco menos de dinheiro se bem negociado. Se tiverem mais do que um dia, o ideal será mesmo explorar a região de bicicleta ou scooter eléctrica mas aviso que não será fácil encontrar parte das atracções.

A cidade fica a umas 4h de Kyaiktyio (fizemos 1/4 da viagem de autocarro, o resto de "mini-bus" onde partilhamos lugar com sacos de milho e feijão) e a cerca de 1h de Mawlamyine.

À data da nossa visita, havia ainda um atractivo extra na cidade propriamente dita, uma festa da importante comunidade Coreana que ali vive: uma sucessão de barraquinhas de comidas típicas, uma autêntica feira de utensílios, carroceis e rodas movidas pela força humana e claro, actuações de vários grupos coreanos num palco que servia de epicentro a tudo isto.









A paisagem é dominada por montanhas calcárias, em tudo similares às do sul da Tailândia, Halong Bay no Vietname ou Guilin na China. A grande diferença é mesmo a ausência de turistas e até mesmo de habitantes locais, que se dispersam pelos arrozais. A religiosidade deste povo é também evidente nesta região: várias grutas e campos foram cobertas de pequenos budas dourados e estátuas, servindo de local de culto como se um verdadeiro templo se tratassem.





Há ainda estupas e templos budistas construídos nos locais mais inusitados, como o Kyauk Kalap: uma sucessão de estupas que se destacam de um lago artificial e cujo topo, ocupado por mais uma estupa, parece aguentar-se contra todas as leis da gravidade.





De entre todas as grutas, visitamos duas mas aquela que sem dúvida merece todo o destaque é Sadan Cave. Esta gruta natural com quase 1km de comprimento começa com uma grande galeria com estupas e várias figuras gravadas nas paredes com pequenos budas dourados. Daqui em diante, começa todo um tortuoso e escuro caminho (mesmo com as luzes ligadas) que se torna algo assustador pela quantidade imensa de morcegos no seu tecto, que levam a que o solo seja uma mistura de terra e guano (como local de culto budista que é, entra-se descalço). Já próximo do final, atravessam-se umas pequenas poças de água e começa-se finalmente a subir até se chegar uma pequena escadaria que deixa antever o final da gruta e a sua abertura, mas que não permite adivinhar a magnífica vista que daí se tem.








É daqueles sítios onde dá vontade de permanecer o resto dos dias mas como tal não é possível, dá-se então início a outro momento extraordinário: o regresso numa pequena canoa de madeira, primeiro através de uma estreita fenda sob o monte, depois pelos arrozais alagados, até se chegar novamente à entrada da gruta.




Este foi sem dúvida o nosso ponto alto em Hpa-An e um dos melhores em todo país. Como tudo que é bom requer algum grau de sacrifício, é de salientar que o percurso pela gruta não é fácil. A entrada é livre mas um monge "exige" um donativo fixo de 3000 kyats por pessoa para manter as luzes ligadas. Em boa verdade, ele não confere o dinheiro depositado na caixa e é aconselhável que levem uma lanterna, pois mesmo com as luzes instaladas pelos monges não se vê praticamente nada neste percurso escorregadio ao som dos morcegos. O regresso de barco custou-nos 1500 kyats por pessoa e obviamente foi dinheiro (muito) bem gasto. O por do sol no final, é daqueles que fica para a vida:

Outras grutas de interessa, embora bem pequenas e sem as vistas da anterior, são as Kaw Ka Tsung e a Kaw Gon. Visitamos a primeira já ao anoitecer, antes de regressar a Hpa-An para a festa!










Por fim, o ponto mais alto da região - também ele sagrado para os budistas - é o Monte Zwegabin. É possível subir até ao topo mas preparem-se para enfrentar um longo caminho algo perigoso e escorregadio, onde não são infrequentes os ataques por parte dos muitos macacos que o habitam. Nós contentamo-nos em vê-lo cá de baixo, até porque se o subíssemos não teríamos tempo para o resto.


31/08/17

Dicas e Roteiros - Albânia

Quando ir?

A melhor altura para visitar a Albânia (e os Balcãs em geral) é o final da Primavera: temperaturas agradáveis mas não extremas, bom tempo (muito sol, pouca chuva) e ainda com alguma neve nos picos mais altos. É também uma altura em que praticamente não há turistas, pelo que as praias estão desertas e os alojamentos mais baratos.

No entanto, é possível visitar o país em qualquer altura do ano. Convém ter em conta que as regiões mais interiores do norte e centro do país são montanhosas, pelo que no inverno é de esperar muita neve e estradas cortadas.


Como chegar?

Este é um dos maiores obstáculos na hora de visitar o país. O ideal é integrar o mesmo num roteiro com outros países balcânicos mais acessíveis. Caso contrário, o melhor é mesmo voar para Milão por uma companhia low-cost e de lá para Tirana noutra (a italiana Blue Panorama, por exemplo).
Para quem entrar por terra, há 5 pontos convenientes consoante a proveniência:

 - Noroeste: Ulcinj no Montenegro fica mesmo ao lado de Shkodra, a maior cidade albanesa do norte do país. O próprio lago homónimo é dividido pela fronteira. O posto fronteiriço albanês situa-se em Muriqan;

 - Nordeste: há vários postos fronteiriços entre a Albânia e o Kosovo, sendo o principal - que dá acesso mais directo a Prizren - localizado em Morinë;

 - Leste: quem vem (ou vai para) do lago Ohrid, também ele divido entre Albânia e Macedónia, a entrada é feita por Pogradec. Embora o posto "principal" seja através de Struga, recomendo a ida pelo outro lado do lago até ao Sveti Naum e de lá para a fronteira, em Tushmish. Preparem-se para caminhar até lá, depois deverão existir um ou dois táxis prontos a levar quem não quiser caminhar até Pogradec. Daí há mini-bus para Tirana, que demora umas 4h;

 - Sudoeste: na região da cidade de Korcë é possível atravessar para a Grécia, em Kapshticë;

 - Sul: a partir de Saranda ou da região a sul (Ksamil, Butrint, etc) é possível atravessar em Kakavijë.

Por fim, é ainda possível entrar no país de comboio (penso que a única ligação internacional ainda activa é a que liga Shkodra a Podgorica, no Montenegro) e de barco, seja a partir do sul de Itália, seja a partir da ilha grega de Corfu, que fica mesmo em frente Ksamil.


Cuidados de Saúde e Segurança

Os cuidados de saúde a ter são os habituais para qualquer destino europeu, devendo ainda ser prestada particular atenção à água (só engarrafada, não beber água da torneira). Convém ainda ter o PNV em dia e as habituais precauções com animais, especialmente cães e morcegos, pelo risco de contrair raiva. A rubéola é outra preocupação, uma vez que a doença ainda é relativamente comum no país.

No que concerne à segurança, irão ler alertas do mais assustador possível relativamente ao país, principalmente ao Norte. Sinceramente não achamos o país nada inseguro, o povo é bastante afável e as pessoas estarão quase sempre dispostas a ajudar. Acho que foi mesmo no Norte onde encontramos as pessoas mais simpáticas e o maior perigo que encontram os foram mesmo os condutores albaneses. Provavelmente a "má fama" da região prende-se com o tráfico (de drogas, pessoas e orgãos) que ocorreu durante a guerra do Kosovo (pois os rebeldes/terroristas kosovares refugiavam-se nesta zona) bem como com o inerente proliferar de armas de fogo. Ironicamente, foi precisamente o "grande aliado" albanês (EUA) que deram má fama à região com múltiplos avisos descabidos e exagerados sobre a região, quando em boa verdade geralmente eram soldados americanos estacionados na região que, embriagados, armavam confusão (e acreditem que não é boa ideia armar confusão na Albânia ou em qualquer outro país do leste europeu).


Moeda/Preços

A Albânia usa o Lek como divisa. À data deste post, 1 euro equivale a 133 Leks. Tendo já estado na Albânia em duas alturas diferentes, li sempre alertas sobre "esquemas" nos preços e/ou trocos com leks antigos (que valiam muito menos). No entanto, na prática nunca encontrei preços afixados com esse intuito, muito menos notas antigas no troco (só as vi à venda como souvenir como em tantos outros países). No que aos preços diz respeito, a Albânia é um país barato mesmo quando comparado com a maior parte dos países vizinhos.
Os alojamentos são relativamente baratos e simples. A alimentação é barata, mesmo na capital um prato num restaurante de gama média deverá custar uns 3 a 5 euros. Uma cerveja local de 0.5L custa cerca 1 euro, se for num supermercado ou loja de conveniência menos ainda.


Transportes

A meu ver, o mais "difícil" numa visita à Albânia. Os transportes públicos na Albânia são francamente maus e/ou perigosos. Os comboios estão praticamente desactivados, são muito lentos e muito pouco frequentes. Autocarros de longo curso são também eles raros, sendo que dentro do país as pessoas recorrem aos "mini-bus", que na maior parte das vezes são carrinhas 9 a 12 lugares sobrelotadas, com paragens constantes (recolhem e deixam passageiros em qualquer ponto do percurso) e só arrancam quando estão praticamente cheios. Para além disto, os condutores albaneses são os piores que encontramos em toda a Europa e os dos ditos mini-bus parecem esmerar-se: sempre prontos a ultrapassar, mesmo em curvas sem visibilidade ou com trânsito no sentido contrário.
Posto isto, o mal menor no meio disto tudo é alugar um carro e praticar uma condução defensiva. A imensidão de placas nas bermas das estradas fazem questão de nos relembrar o perigo. Praticamente não autoestradas, exceptuando a SH2 que liga Tirana a Durres e partes da SH1, que liga Tirana ao norte. E mesmo estes trechos de autoestrada são significativamente diferentes de todas as autoestradas europeias: há rotundas, é possível inverter a marcha em muitos lugares e os cruzamentos são mesmo isso, cruzamentos. Escusado será dizer que os aceleras albaneses - geralmente em Mercedes ou BMW's - "adoram" dar asas à insanidade nestas vias rápidas recém-descobertas por aquelas bandas.
Por fim, ter em conta que algumas estradas da regiões montanhosas do Norte são impraticáveis sem 4x4 (estrada para Thethi, por exemplo) e no Inverno intransitáveis.


Comunicações

Nas principais cidades a cobertura de rede de telemóvel é boa e a internet relativamente rápida. Já nas zonas rurais, há extensas áreas sem cobertura e a internet torna-se cada vez mais rara e lenta.


Principais Destinos a Visitar

Tirana - relato aqui









A capital da Albânia não tem muitos atractivos, à semelhança de outras capitais dos balcãs. No entanto, é uma das cidades mais diversas da região uma vez que nos últimos dois séculos foi primeiro ocupada pelo império Otomano, depois pela Itália fascista de Mussolini e por fim passou por um longo período, qual Coreia do Norte europeia, isolada do resto do mundo sob o jugo de Enver Hoxa, o ditador comunista paranóide que não só fez frente a meio mundo como mandou construir milhares bunkers por todo o país (os números são díspares e incertos, variando de 170 mil a mais de 700 mil). 

Kruja - relato aqui





A fortaleza de Kruja é o atractivo mais próximo da capital ficando sensivelmente à mesma distância do seu aeroporto, pelo que será uma boa opção para o início ou final da viagem. Para além da fortaleza, há um museu dedicado ao herói tradicional Skenderberg e um pequeno bazar recentemente restaurado e em constante expansão. As vistas também são muito boas, especialmente ao por do sol. 

Shkodra - relato aqui





A "capital" do norte da Albânia é uma cidade interessante e que evoluiu bastante nos últimos anos. A mesquita e a principal rua pedonal da cidade são os principais atractivos no centro da cidade mas esta não se fica por aqui: o lago homónimo partilhado com o Montenegro, o seu castelo e a mesquita "de chumbo", como é conhecida, foram para nós os locais mais interessantes.

Lago Koman - relato aqui


Uma barragem deu origem a um lago artificial que proporciona hoje em dia uma das mais belas (e das mais baratas) viagens de barco da europa. O ferry é ainda uma excelente alternativa às estradas que serpenteiam os alpes do norte do país.

Alpes Dináricos (Valbona e Thethi) - relato aqui




Os Alpes Dináricos deveriam ser uma das prioridades para quem visita o país. Montanhas delimitam vales verdejantes onde poucos turistas chegam, pelo que o local se mantém inalterado. Esta região - maioritariamente católica num país muçulmano - é provavelmente a mais bela do país, mas também a mais difícil de aceder. O vale de Valbona é acessível a qualquer carro (desde que o clima o permita), ao passo que o de Theti - embora mais próximo da costa - é mais isolado. É possível caminhar de um até ao outro mas preparem-se para um dia inteiro de caminhada e certifiquem-se que todo o caminho está transitável (por causa da neve e do gelo que teimam em persistir até Maio/Junho).

Berati - relato aqui






Berati é uma das duas cidades "otomanas" melhor preservadas no país. O casario em ambas margens do rio merece uma visita, tal como o seu castelo. Já a parte "nova" da cidade, embora sem grandes atractivos é excelente para se ter uma ideia do ambiente "estudantil" no país.

Gjirokastra - relato aqui


Outra cidade que preserva bem a arquitectura otomana e que é a terra natal de Enver Hoxha. Diferente de Berati, requer menos tempo para ser visitada e contrariamente à anterior, não tem qualquer ponto de interesse na parte nova. Em sentido contrário, tem uma fortaleza relativamente bem preservada com um avião espião americano em exposição (onde é que já vi algo similar?) e várias baterias anti-aéreas que servem se estímulo aos mui nacionalistas albaneses.

Syri i Kaltër - relato aqui




Um pequeno "olho azul" - isto é, uma nascente de água cristalina que para os mais pareidólicos se assemelha a um olho azul - dá origem a um pequeno parque natural que rapidamente nos leva a esquecer que estamos na Europa. Tem um restaurante na margem que sinceramente merecia estar em melhores condições e acima de tudo melhor gerido. É perfeitamente possível visitar o mesmo no caminho de Girokastra para Saranda ou Ksamil.

Ksamil e Butrint - relato aqui



Ksamil é uma pequena vila piscatória no extremo sul da Albânia. As fantásticas praias da região foram infelizmente alvo da ausência de qualquer planeamento do território que afecta quase todo o país, pelo que a vila em si contrasta com as praias (não há outra forma de o dizer: é feia) e as próprias praias são divididas pelas diferentes concessões com pontões de betão. Um pouco mais a sul, as ruínas romanas de Butrint servem para entreter uma tarde mas não são imperdíveis. 

Himara  - relato aqui





Outra região de praia na "Riviera Albanesa" é Himara, que tem ainda a peculiaridade de ser provavelmente a cidade "mais grega" da Albânia, o que é notório quer na gastronomia local, quer pela presença de igrejas ortodoxas em vez de mesquitas. A cidade tem duas praias mas as melhores ficam fora da cidade (Jala vale muito a pena, já Porto Palermo é uma desilusão).

Dhermi - relato aqui





Esta região conta com uma enorme extensão de praias, umas mais turísticas do que outras. A praia de Drymades fica a norte da povoação de Dhermi e é menos turística que esta última. Os acessos são também piores, assim como as infra-estruturas que lá se encontram. No entanto, encontra-se, pelo menos para já, a salvo do "desordenamento urbano" que afecta o país em geral. Há, tal como em toda a "riviera", várias praias desertas a sul (em direcção a Himara). A norte, começa o parque nacional de Llogara, que separa a região de Vlore.

Korcë 


Esta cidade do sudeste albanês é extremamente importante para os cristãos do país uma vez que é a sede da igreja ortodoxa albanesa, numa região onde esta corrente do cristianismo é dominante mas onde também existem católicos e muçulmanos de vários correntes, principalmente Bektashi (corrente autóctone) e Sunitas. É uma boa opção para quem pretender fazer uma paragem a caminho ou vindo dos lagos Ohrid e Bitola, bem como para aceder à Macedónia ou região homónima da Grécia.

Ohrid

Fantástico lago no leste do país, rodeado de picos cobertos de neve e múltiplas igrejas e mosteiros ortodoxos. Conhecemos os dois lados da fronteira (que o divide entre Albânia e Macedónia) e recomendamos vivamente a estadia na cidade de Ohrid propriamente dita, na ex-república jugoslava.


Roteiro sugerido

Quem dedicar uns 10 a 12 dias ao país poderá optar por um percurso similar ao descrito no mapa. Tanto podem iniciar em Tirana como em Kruja, como podem até deixar as duas para o fim, como nós fizemos pois optamos por seguir directamente para o Kosovo. Evitem cidades como Saranda, Durres ou Vlore, pois foram completamente destruídas pelo turismo em massa e pela construção desenfreada e desordenada (embora a sul de Vlore a costa seja relativamente interessante). O caminho para Valbona é bastante mais simpático pelo Kosovo e Prizren encaixa neste roteiro que nem uma luva. Já Korce fica bem longe deste roteiro, pelo que só me parece justificar-se a visita se esta se enquadrar numa viagem ao lago Ohrid ou ao Bitola.


Já se a visita for enquadrada num inter-rail ou numa viagem por múltiplos países e o tempo for escasso, então aconselho vivamente que utilizem o país como "passagem" entre Montenegro e Macedónia (parando por exemplo em Shkodra, Tirana e Korce a caminho do lago Ohrid) ou entre o Montenegro e o Kosovo (passando por Shkoder e seguindo pelos alpes, eventualmente com um pequeno desvio a Tirana ou uma paragem em Kruja).


19/08/17

O nosso kit fotográfico



Uma vez que frequentemente nos questionam acerca do material fotográfico a utilizar em viagem, decidi iniciar uma nova rubrica sobre fotografia em viagem. E como não poderia deixar de ser, o primeiro post terá como objectivo descrever sumariamente o nosso kit de viagem, bem como abordar algumas das necessidades específicas do viajante.

Não irei alongar-me com especificações técnicas demasiado exaustivas, cingindo-me apenas àquelas que considero mais relevantes nestes contexto. Utilizamos material da Canon (ou compatível com) mas é relativamente fácil encontrar material equivalente da Nikon ou mesmo da Sony.

Câmaras

A nossa primeira DSLR (digital single lens reflex) foi adquirida pouco tempo antes da nossa primeira viagem à Ásia, a Canon 1100D. É uma das DSLRs mais "básicas" da Canon mas ainda assim sentimos uma evolução espantosa com este "salto" a partir das cameras compactas. Com 12MP e 9 pontos de focagem, esta camera de sensor crop cumpre a sua função na maioria das situações e é relativamente fácil de utilizar, depois de nos familiarizarmos com ela. É ainda uma camera relativamente compacta, muito leve e cuja bateria dura uma eternidade, principalmente quando comparada com modelos superiores.



 
Sendo uma camera de nível "básico", tem obviamente as suas limitações, sendo a meu ver as mais importantes as que passo a citar:

- buffer lento com ficheiros RAW (4s após 3 disparos consecutivos), que nos condiciona quando queremos captar objectos em movimento;
- ausência de medição "pontual", o que dificulta uma correcta exposição quando apenas nos interessa uma pequena parte específica do enquadramento, como por exemplo, ao fotografar a lua;
- limitações ao nível da filmagem, quer pela ausência do modo Full-HD, quer pela quase completa automatização durante o modo de filmagem;
- ISO relativamente baixa (máx. 6400), que acaba por ser uma limitação menor uma vez que acima dos 1600 as fotos ficam com bastante ruído.

Por estes motivos e porque somos dois, acabamos por adquirir uma segunda DSLR da Canon já em 2016, aproveitando os preços simpáticos de Hong Kong. Assim, após muita ponderação acabamos por optar pela Canon 80D.


Esta camera recente, vem equipada com sensor crop mas com 24MP. Tem ainda 45 pontos de focagem (ao invés dos 9 da 1100D), dispõe de medição pontual e de Full HD no modo de filmagem, sendo possível alterar todos os parâmetros de forma manual durante a filmagem.
O buffer é consideravelmente mais rápido, já para não dizer que atinge a velocidade de disparo atinge uns impressionantes 7fps. O ecrã táctil articulado é uma vantagem, bem como a selagem do corpo da camera (ausente na 1100D). A ISO vai até 25600. O pequeno visor na parte de cima, os botões de acesso directo a várias configurações (ISO, tipo de medição, ponto de focagem, modo de focagem, modo de disparo) bem como a roda com joystick à direita do LCD principal são outros bónus que nos poupa muito tempo na hora de preparar a foto.



Como seria de esperar, a bateria dura menos tempo e a camera tem já um peso considerável (730g), sendo estas as duas principais desvantagens relativamente à nossa velhinha 1100D, que pesa apenas 495g.

Lentes

A escolha da câmara é sem dúvida importante mas como já mencionei, uma câmara básica como a 1100D faz praticamente tudo, com mais ou menos limitações, e o mesmo se aplica a outros modelos mais económicos direccionados a principiantes. Já a escolha de lentes é um processo mais complexo e com implicações directas no resultado final.

A primeira escolha prende-se com o tipo de lente, isto é, zoom vs prime.
Geralmente os modelos mais baratos são vendidos em "kit", em que se adquire a câmara já com uma lente praticamente ao preço do corpo da câmara. E neste kit geralmente é incluída uma lente zoom, isto é, com distância focal variável. A nossa 1100D não foi excepção e veio com a EFS 18-55mm f/3.5-4.5 IS II. Os modelos mais recentes geralmente vêm equipados com uma versão mais moderna desta lente, mais raramente com outras lentes zoom ou com uma prime.






Para um principiante é de facto a lente que faz mais sentido: relativamente barata, com estabilização de imagem (IS) e versátil no que respeita à distância focal, que vai desde grande angular (18mm) até ao princípio da telefotografia, nos (55mm). O principal "problema" desta lente, é mesmo o mecanismo de autofoco (AF) ruidoso, o que nos refreia de filmar com ela. Acresce a abertura variável (de f/3.5 nos 18mm até f/4.5 nos 55mm), que também está longe de ser o ideal para filme. Felizmente a versão mais recente da lente já conta com o novo motor STM, pelo que é bem mais silenciosa.

18mm | ISO 100 | f/9 | 1/80
Já no que respeita a fotografia, é uma lente competente e que não deixa ninguém ficar mal desde que utilizada no contexto adequado. Em situações com pouca luz torna-se complicado fotografar sem uma ISO elevada ou sem tripé, mas geralmente nada que não se resolva.

28mm | ISO 200 | f/4 | 1/40
21mm | ISO 100 | f/3.5 | 1/160
50mm | ISO 800 | f/5.6 | 1/80


Volvidos alguns anos, e após um breve curso de introdução à fotografia que me foi ofertado pela minha esposa, acabaríamos por comprar a nossa segunda lente, provavelmente aquela que tem melhor relação qualidade/preço do mercado: Canon 50mm f/1.8 STM.




50mm | ISO 400 | f/1.8 | 1/40

É uma lente pequena e leve (159g), com materiais aparentemente mais resistentes do que as versões mais antigas e tem apenas um interruptor lateral que permite alternar entre AF e MF (foco manual).
Esta lente de distância focal fixa de 50mm, que nas nossas câmaras equivalem a 80mm num sensor full frame, é excelente para retratos e mercados, bem como quando a luz escasseia. A abertura máxima de 1.8 não só lhe permite a entrada de muito mais luz como também permite desfoques intensos envolvendo um curto plano devidamente focado. O motor STM é uma mais valia e praticamente não se ouve em filmagens. Os únicos defeitos - se é que se pode apontar algum a esta lente que ronda os 130 euros - são mesmo o anel de focagem (estreito, próximo da frente e roda sem limite) e o facto da frente da lente expandir para a frente quando foca, embora não rode.

50mm | ISO 100 | f/3.5 | 1/1250 
Ainda assim o anel de foco parece ter melhorado em relação aos modelos mais antigos desta lente e o aspecto mais positivo é o faco de permitir a sobreposição do foco manual ao AF. Em sensores crop os 80mm efectivos também são úteis para fotografar a uma distância razoável em mercados menos "amistosos" de turistas ou mesmo para fotografia de rua.

50mm | ISO 100 | f/1.8 | 1/200

A nossa segunda aquisição foi uma lente grande angular. A escolha acabou por recair na nova Canon EFS 10-18mm f/4.5-5.6 IS STM.



Esta é aquela lente em que tudo cabe na imagem, desde extensas paisagens e edifícios imponentes a espaços apertados e pequenos cubículos, bem como a lente que vos irá permitir em muitas situações tirar a foto mais próxima do objecto do que a maioria pois permite enquadrar edifícios monumentais bem de perto. O motor é completamente silencioso e o anel de focagem adequado à função. O maior senão da lente é a abertura mínima de 4.5, que acaba por ser minorado pelo facto de a lente ter estabilização óptica. Aberta a 4.5 tende a apresentar uma ligeira aberração cromática nos cantos, que geralmente desaparece pelos 7.1. A qualidade de imagem impressionou-me pela positiva, apresentando uma distorção moderada (para o tipo de lente que é) mesmo a 10mm:

10mm | ISO 400 | f/4.5 | 1/2500
10mm | ISO 1000 | f/10 | 1/200
Este tem sido o kit que temos vindo a "alimentar" desde 2013. Já em Dezembro passado, a nossa EFS 18-55mm que vinha com a Canon 1100D resolveu mergulhar nas areias da Tailândia, o que levou ao funcionamento irregular do AF e à antecipação da sua substituição, pela Sigma 17-50mm f/2.8 EX DC OS USM, que irei rever mais tarde. Outra aquisição recente, também a rever mais tarde, é a teleobjectiva Tamron 70-300mm f/4-5.6 Di SP VC USD, que completa o kit com que pretendemos registar as nossas futuras viagens. Na última viagem que fizemos, à Índia, levei ainda uma das mais pequenas e mais baratas lentes do mundo, uma "relíquia" soviética a explorar num futuro post.

Links Relevantes

Canon 1100D


Canon 80D

Canon EF 50mm f/1.8 STM
Canon EFS 10-18mm f/4.5-5.6 IS STM