03/08/17

Kyaikhtiyo


Kyaikhtiyo, também conhecida como "Golden Rock", é uma montanha no estado Mon, no leste de Myanmar. É um conhecido local de peregrinação budista, onde um cabelo de buda segura uma imponente rocha dourada que parece desafiar da gravidade enquanto serve de base ao pagode propriamente dito.

É relativamente fácil lá chegar, havendo mesmo tours de um dia a partir de Yangon. No entanto, recomendo vivamente a ida até Hpa-An, pelo menos, pelo que é um bom sítio para uma paragem. As opções de alojamento são algo escassas, nós ficamos no Eternity Resort em Kinmun, mesmo à saída do povoado em direcção ao grande atractivo. O hotel em si, não sendo nada de especial, era limpo, relativamente moderno e tinha um staff atencioso. As opções de restauração, no centro de Kyaikhtiyo, não são tão escassas mas servem mais ou menos a mesma coisa em todo lado e, à data da nossa visita, poucos restaurantes tinham condições razoáveis. Ainda no que concerne à logística, é possível comprar bilhetes de autocarro para praticamente qualquer ponto do país, embora a maior parte dos que partem em direcção a ocidente passem por Yangon.



Como noutros locais do país, os locais acorrem a este local para colar folhas de ouro nesse mesmo rochedo. Há ainda a crença pagã que aqueles quem subirem 3 vezes consecutivas o monte pelo seu pé irão alcançar o reconhecimento e a fortuna.

No entanto, o melhor da festa é mesmo a hilariante, embora algo perigosa, subida motorizada do monte de 1100m de altitude. Há inúmeros camiões de caixa aberta com várias filas de bancos corridos afixados custa . Cada camião só parte, seja na subida ou na descida, quando está cheio e com alguns passageiros pendurados na traseira. O bilhete para visitar o pagode (que inclui a viagem de camião) custa 6000 kyats. Quem não quiser subir os últimos metros, pode pagar a locais para o levarem literalmente aos ombros.



À chegada, primeiro atravessa-se um pequeno mercado de souvenirs e snacks, prosseguindo para o recinto onde se encontra a rocha. Antes de alcançar, passa-se por algumas versões em miniatura, bem como por algumas salas de oração no lado oposto. As vistas são espantosas mas não pensem passar lá muito tempo pois praticamente não há sombra e o no cume do monte o sol é implacável.







A rocha "original", encontra-se numa pequena plataforma isolada por um portão com detetor de metais e um segurança. A partir daqui, só os homens - maioritariamente monges - podem passar e colar as suas folhas de ouro no rochedo.





22/07/17

Bago

Bago é hoje em dia uma pequena cidade com menos de 300 mil habitantes, situada a nordeste de Yangon. No entanto, esta cidade já foi uma importante capital do reino de Pegu, antigo nome da cidade. Este foi também um dos reinos que maior interacção teve com exploradores e mercenários portugueses, que ajudaram a conquistar e reconquistar, ao serviço de diferentes reinos. Primeiro Filipe de Brito e Nicote conquistou-a ao serviço do Reino de Arracão, ao lado de Salvador Ribeiro de Sousa. O mercenário português mais conhecido de Myanmar, Filipe de Brito, viria mesmo a ser nomeado rei pelos habitantes locais.

Com o passar do tempo, Bago foi perdendo relevância e hoje em dia, embora seja a 5ª cidade mais populosa do país e se mantenha como capital da província homónima, é uma cidade pacata dedicada acima de tudo ao culto religioso.



É fácil chegar a Bago a partir de Yangon. A opção mais segura e económica é o comboio, desde que não haja nenhum acidente como foi o caso do nosso. De qualquer modo ele anda tão devagar o dito acidente não teve consequências de maior, exceptuando a paragem de quase 1h até removerem o carro colhido (em boa verdade foi mais "um toque") da linha. Alternativamente, podem alugar um táxi (boa opção se quiserem fazer uma day-trip) ou ir de autocarro.

Sendo uma cidade geralmente visitada em tours de um dia ou de passagem, não há muitas infraestruturas direcionadas ao turista. É conveniente negociar um tuk-tuk pois boa parte dos atractivos ficam afastados entre si. Também foi a partir daqui que começamos a ver gradualmente cada vez menos turistas, o que tornou toda a experiência no país ainda mais autêntica.



Myanmar é um país de budas. Não que os seus vizinhos a oriente também não o sejam, mas Myanmar bate qualquer um deles, quer em número, quer em tamanho. E Bago não é excepção, voltando a apresentar alguns dos maiores "espécimes".

Aquele que mais se destaca, até por ser diferente dos demais, é o Kyaikpun: 4 budas de 27m de altura num quadrado, de costas voltadas entre si. Apesar de parecer de construção recente, a "culpa" é dos restauros recentes desta estrutura originalmente construída no século VII.






Bem no centro da cidade, fica o Mahazedi Paya, com a sua estupa dourada assente numa base branca. À semelhança de outras estruturas do género no país, foi destruído e reconstruído diversas vezes, geralmente por danos causados por terramotos. Uma outra estupa dourada que geralmente até recebe pouco destaque, é em boa verdade a mais alta do país (sim, mais alta do que o Shwedagon em Yangon) com os seus imponentes 111m. À data a nossa visita, encontrava-se em restauro e com um aspecto caricato:






Um outro "marco" desta cidade é o terceiro maior buda reclinado do país, o Shwethalyaung, que se encontra alojado num espaço coberto. As "almofadas" onde apoia a cabeça estão cobertas de pedras preciosas.



Um outro buda reclinado mas ao ar livre, completava o pódio da competição de mudas que parecia haver em quase todas as cidades do país, o Myathalyaung.





Relativamente escondido numa das zonas mais pobres da cidade, fica o Templo da Cobra, um pequeno templo que aloja uma piton monstruosa mas aparentemente sedada, que "acompanha" as preces do seu cuidador a troco de pouco dinheiro. Embora seja num local algo degradado e o templo não seja arquitetonicamente atractivo, vale a pena a visita pois vê-se que é um templo concorrido pelos locais pouco habituado a receber turistas.





Nas imediações há um pequeno templo de onde é visível o Kanbawzathadi, uma reconstrução recente do antigo palácio real, que se encontrava fechada à data da nossa visita. Atenção que este monumento não está incluído no bilhete geral da zona arqueológica de Bago - que custa 10 mil kyats - sendo necessário adquirir um bilhete independente com o custo de 4 USD, à data da nossa visita.









Por fim, o momento mais divertido do dia, a visita ao algo pagão Hinthar Gon Paya. É um templo construído pelo povo Mon em honra a uma ave mitológica, num local sagrado. Para além do templo em si, que não é nada de extraordinário, há uma pequena cave essa sim, bastante interessante. Aqui encontramos um grupo de homens como que em trance a tocar música tradicional enquanto ladyboys e senhoras idosas cuidavam das oferendas ao templo. Estas últimas, fizeram questão de nos convidar para uma pratada de um qualquer cereal castanho escuro parecido com arroz integral com coco fresco desfiado por cima, terminando com tóping de açúcar de cana em pó. Afinal de contas não é só em budas que Myanmar é imbatível, também o é na generosidade. 





15/07/17

Visto para a China


Para os portugueses que desejarem visitar a China é necessário tratar com antecedência do visto na embaixada da China, que se situa na Lapa, em Lisboa. O processo é similar para cidadãos brasileiros embora os preços variem.

O tipo de documentação a entregar vai depender do propósito da viagem à Russia. A duração da estadia máxima com o visto de turismo é de 3 meses.


Como tirar o visto de Turismo

1- Imprimir e preencher o formulário que está disponível online;

2- Reunir a documentação especificada no site necessária para a obtenção do visto;

3- Ir pessoalmente à secção consular, no período da manhã (9h-12h), solicitar o visto com toda a documentação exigida. Se tiverem dúvidas em relação a algum documento, não hesitem em enviar mail pois responde ao fim de 1 ou 2 dias. Não são aceites pedidos por correio;

4- Efectuar o pagamento no banco indicado (à data era o Millennium BCP) e regressar à embaixada para entregar o comprovativo;

5- Levantar o visto ao fim de 4 dias úteis ou solicitar o envio do passaporte já com o visto emitido pelos CTT (2 ou 2,5 euros, correio registado).

Documentação Necessária para Entrega

1- Passaporte  (com validade mínima de 6 meses);

2- Formulário do pedido do visto preenchido e assinado como no passaporte;

3- Fotocópia da folha de identificação do passaporte;

4- Comprovativo de bilhete de entrada e saída no país (pode ser avião, comboio, autocarro, etc). Se a saída se processar a partir de Macau ou Hong Kong, têm que ter comprovativo de bilhete de saída por esse mesmo sítio. No caso de entrar de comboio a partir de outros país, deverá juntar ainda o comprovativo de bilhete de entrada nesse país e comprovativo da compra ou reserva de bilhete de lá para a China;

5- Comprovativo de reserva de hotel para 1 ou 2 noites na China;

6- Declaração da entidade patronal ou talão de vencimento (no caso de estar desempregado ou de trabalhadores independentes, comprovativo de saldo bancário superior a 1000 euros);

7- Fotografia tipo passe, a cores e actual.

Preços e Prazos

O preço do visto de turismo é de 60 euros e geralmente é emitido em 4 dias úteis. Isto aplica-se aos vistos de 1 ou 2 entradas, pois os vistos de entradas múltiplas têm um processo de aprovação mais complexo, podendo requerer mais tempo.

Convém salientar que apesar de Macau e Hong Kong pertencerem à China, a visita destas duas regiões administrativas especiais conta como uma "saída" do território Chinês. Logo, se pretenderem regressar à China têm que solicitar visto de 2 entradas.

Sites Relevantes

Secção Consular - Como solicitar visto para a China

06/07/17

Macau



A última colónia europeia na Ásia viria a ser entregue à República Popular da China no ano 1999, um ano depois de Hong Kong. Este que foi o primeiro entreposto comercial europeu na região preserva mais de 400 anos de história portuguesa. Os sinais da nossa presença são ainda bem visíveis na península e mesmo em Coloane, a ilha mais meridional da região.

Chega a Macau é fácil, seja de comboio, ferry ou avião. Também é possível chegar por autocarro mas esta será a opção menos cómoda. Já o comboio, termina na cidade vizinha de Zuhai, mesmo junto às Portas do Cerco, principal acesso terrestre à região. Os principais hotéis e casinos têm shuttle gratuito a partir daqui, caso contrário há um corrupio de táxis que praticam preços acessíveis para o centro da península. Quer para portadores de passaporte português, quer brasileironão é preciso visto.

A península de Macau encontra-se ligada por 3 pontes à ilha de Taipa e esta por sua vez encontra-se ligada à serena ilha de Coloane pelo istmo de Cotai, hoje em dia conhecido pela Cotai Strip, o futuro do negócio do jogo em Macau.

Chegados a Macau já depois do anoitecer, começamos por caminhar até ao centro da cidade em busca de comida portuguesa e, confesso que um pouco saturados após 2 meses de gastronomia russa, mongol, coreana e chinesa, acabamos por nos entregar aos cuidados do restaurante "Mariazinha", que recomendamos vivamente.

Ainda algo inquietos pelo facto de todas a indicações estarem em português num país asiático e por termos acabado de jantar posta à mirandesa e francesinha, ao sair do restaurante decidimos deambular aleatoriamente pelas ruelas de calçada e acabamos por desembocar nas ruínas da catedral de São Paulo, imagem de marca do território. Foi um aperitivo para o dia seguinte, esse sim dedicado ao centro da Península.



Para além das ruínas de São Paulo, há um pequeno espaço museológico atrás e por baixo das mesmas. Mesmo ali ao lado, fica o Forte do Monte, onde se localiza o Museu de Macau, que se dedica à história do território e à presença portuguesa no mesmo. Daqui há uma boa vista sobre a península de Macau, ela própria elucidativa da evolução da região:


Não muito longe desta zona fica o Largo do Senado, provavelmente a zona mais portuguesa de Macau. Para além dos edifícios administrativos do período colonial, existem diversas igrejas católicas em redor da praça.





Na Travessa da Sé está aberta ao pública a "mansão Lou Kau", que pertencera a um comerciante chinês importante no território. É um pequeno espaço com pouco para ver, mas como a entrada é gratuita e até fica no caminho, vale a pena entrar.



Caminhando para norte, após a Igreja de St. António, existe o Jardim de Camões, um bom sítio para fugir um pouco às multidões de turistas do Senado e das ruínas de São Paulo.


Mesmo em frente ao jardim, é possível apanhar o autocarro para Coloane no sentido inverso, que acaba por inverter a marcha umas paragens adiante. Não nos cobraram dinheiro até ao final da viagem, depois pagamos 5 patacas por pessoa de lá até Coloane. A viagem é demorada, principalmente se houve trânsito na ponte para Taipa.

Macau foi cedida a Portugal com a condição de garantir a segurança na região, refúgio de piratas que atacavam frequentemente naquela zona. Coloane foi a última parte do território de Macau a ser "libertada" dos piratas e como tal a velha Coloane é sem dúvidas uma das zonas mais "portuguesas" de Macau. O marco história central é a igreja de São Francisco Xavier, com o belíssimo Largo Eduardo Marques em calçada portuguesa a servir de pavimento até ao mar.



Os edifícios laterais embora com nomes e menus portugueses (já nem vou falar na aparência) servem na realidade comida macaense, isto é, a interpretação da gastronomia portuguesa pelos nativos de Macau. A bifana estava boa e os bolinhos de bacalhau até escapavam, o caldo verde é que nem por isso.


Aproveito para partilhar as fotos da posta à mirandesa e da francesinha que degustamos na "Mariazinha":





Prosseguindo para sul pela marginal, em direcção à biblioteca, irão encontrar desvios para dois pequenos templos budistas, com um terceiro templo na estrada secundária que os liga.









Daqui regressamos até Cotai, onde aproveitamos para visitar um casino, o Venetian. Na sua essência muito similar ao de Las Vegas, embora com uma distribuição de jogos muito diferente, tendo em conta a variante cultural. As slot-machines estão em muito menor número e muitas das mesas de jogo são dedicadas a um jogo chinês chamado "Pequeno e Grande", ou Sic bo. Os grandes casinos são interligados por imensas galerias comerciais, com a presença de todas a grandes marcas.







O autocarro de Cotai para Macau custou-nos 3,2 patacas por pessoa e ainda fomos a tempo de visitar mais uma atracção da cidade ao anoitecer, o Mercado Vermelho ou Mercado António Lacerda. Nos seus 3 pisos irão encontrar peixe, marisco, carne, frutas, vegetais e frutos secos. A secção de peixe e marisco é sem dúvida a mais interessante. Pelo caminho, o edifício que se destaca ao lado de uma das três pontes que ligam as ilhas à península é a Torre de Macau, aqui fotografada do autocarro:





Nas redondezas do mercado, existe um segundo mercado improvisado nas ruas e ruelas, com praticamente todos os espaços preenchidos por negócios. Numa estreita ruela nas traseiras do mercado, há uma pequena loja com uma imensa variedade de bolachas cantonesas tradicionais. O dono não fala português nem inglês mas um senhor chinês igualmente idoso que lhe fazia companhia falava português aceitável, o que facilitou a transação.


Um bom sítio para terminar a noite, é a zona dos casinos mais antigos de Macau, onde se destacam o hotel-casino Grand Lisboa e o seu "irmão" mais velho, o hotel-casino Lisboa. Esta é também uma boa zona para compras, predominando joalharias e lojas de electrónica, estas últimas com preços similares aos de Hong Kong.



Macau foi uma agradável surpresa, mesmo quando as expectativas eram elevadas. Quase 20 anos depois de ser "devolvida" à China ainda retém a nossa história e orgulha-se dela. Mesmo sabendo de antemão do que lá existe deixado por nós, não deixa de ser uma sensação estranha - no bom sentido - ver tudo identificado na língua de Camões em plena Ásia. A revisitar, com toda a certeza.