07/11/16

Krasnoyarsk

Krasnoyarsk foi a segunda e última paragem escolhida na longa travessia da Sibéria, em detrimento da sua capital Novosibirsk. Sabíamos de antemão que ambas tinham pouco a oferecer, sendo essencialmente cidades industriais. Uma vez que havíamos parado em Omsk, achamos que seria mais equilibrado partir a viagem neste cidade. Caso tivéssemos optado por Perm em vez de Omsk, faria mais sentido para em Novosibirsk.

À chegada um simpático senhor russo que tirava fotos à estação informou-nos que o autocarro 64 parava mesmo na nossa rua. O bilhete custou 22 rublos mas por qualquer motivo a cobradora de bilhetes decidiu cobrar-nos mais dois bilhetes por causa das mochilas, algo que jamais nos aconteceu na Rússia. No entanto, se quiserem ir para o centro há muitos mais autocarros uma vez que a avenida que passa em frente à estação segue directamente até lá.

O centro da cidade é fácil de percorrer a pé embora com as temperaturas gélidas que se faziam sentir tenhamos cedido à tentação de apanhar alguns autocarros para deslocações maiores ao princípio e final do dia. A cidade carece de uma praça central sendo que as principais referências são, como em quase todas as cidades russas por onde passamos, as ruas Karla Marksa e Lenina.


Bem no centro da cidade há uma pequena igreja que também ajuda na orientação, a Igreja da Anunciação. Há mais algumas igrejas espalhadas pela cidade e uma torre no cimo de uma colina, onde diariamente é disparada uma salva de canhão pelo meio dia, se não estou em erro. 


Sabendo que não haviam grandes atractivos, decidimos caminhar até às margens do rio e daí apreciar as vistas enquanto caminhamos até ao estranho museu de história, facilmente identificável pelos motivos da antiga civilização egípcia que o ornamentam no exterior. 

Uns metros à frente encontram-se algumas monstruosidades soviéticas, como o teatro, alguns edifícios governamentais e hotéis. Prosseguindo a caminhada junto ao rio, chega-se a um parque onde se encontram múltiplas diversões, incluindo uma réplica em miniatura dos mais modernos comboios russos para entreter as crianças. 

Atravessamos o mesmo e como o frio já alertava há algum tempo decidimos apanhar um autocarro e regressar ao hostel. Ficamos no Hovel Hostel e recomendamos: é relativamente barato, limpo e moderno. A vista da sala é agradável, com uma pequena estátua de Lenine sentado e contemplativo ao invés da habitual pose autoritária "escondida" entre dois edifícios de madeira.

O único dia completo que reservamos para a Krasnoyarsk tinha por objectivo visitar a reserva natural que começa nos subúrbios da cidade, commumente conhecida como Stolby devido às formações rochosas que são a sua imagem de marca. Há teoricamente duas formas para lá chegar, sendo que a primeira - uma subida íngreme de 2km pela berma da estrada até à entrada do parque - estava automaticamente excluída. A alternativa seriam as telecadeiras da estância de ski local, a Bobrovy Log, que nos levariam a uma outra entrada do parque. E digo levariam porque quando lá chegámos, embora tudo estivesse estranhamente operacional (não havia neve suficiente nas pistas), não nos deixaram sequer comprar bilhete, muito menos subir. Tivemos que abortar o plano e contentamo-nos com um café com vista para as montanhas. Falta mencionar que das entradas da reserva até às primeiras rochas são 5 a 7km de caminhada, dependendo da entrada escolhida. Para quem estiver interessado, deixo-vos as indicações que nos forneceram no Hostel.


Quando voltamos à cidade, fomos à estação de comboios tentar, sem sucesso, trocar os nossos lugares no comboio. Regressamos à base, reabastecemos para o dia seguinte e dedicamos algum tempo ao blog até à hora de jantar. Termino o post com uma menção ao restaurante/bar Bulgakov que é bastante acessível tendo em conta o cuidado aspecto. Falaram-nos ainda do Svina i Biser, que será do mesmo estilo mas não tivemos oportunidade de experimentar.

Curiosamente quem melhor falava inglês era o bengaleiro, um afável senhor de meia idade que ao saber que éramos portugueses fez questão de mencionar que foi à final do Euro 2016 a torcer por nós pois não gostava da França. Falou do Euro 2004, da "geração d'ouro" e de como já nessa altura merecíamos ter ganho o caneco. Inevitavelmente os nomes de Cristiano Ronaldo e Figo, por esta ordem, vieram à baila e no final o senhor queria mencionar um terceiro mas estava com dificuldades mnésicas. Achava eu que se referia a Nani ou Rui Costa mas para meu espanto, quando o homem lá desbloqueou, falou-me de Fernando Gomes. 
Inédito!

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