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06/03/15

Dicas e Roteiros - Vietname


República Socialista do Vietname


- Quando ir?

O Vietname, como país extenso que é, tem estações climatéricas diferente de Norte a Sul do país, tornando assim difícil a escolha da melhor altura para visitar todo o país. É possível a existência de neve a norte enquanto no sul as temperaturas ultrapassam os 30 graus. Apesar de ser um país relativamente "estreito", as temperaturas também pode variar consideravelmente da costa - a oriente - para as regiões mais montanhosas, a ocidente e a norte.


No norte do Vietname a estação seca decorre de Outubro a Abril, sendo que os meses de Dezembro a Março podem atingir temperaturas realmente baixas. De Maio a Setembro tem lugar a estação das chuvas, que pode dificultar viagens para o extremo norte do país e em que as temperaturas - juntamente com a humidade elevada - são mais difíceis de tolerar. Em Setembro, as chuvas abrandam e tornam-se cada vez menos frequentes.

Já o centro do país tem uma estação seca e quente de Janeiro a Agosto, com uma estação de chuvas de Setembro a Dezembro, sendo Novembro geralmente o mês mais chuvoso. Zonas costeiras como Nha Trang, na parte sul da zona central do país, iniciam a época das chuvas mais tarde. No centro, Da Nang e Hoi An têm temperaturas mais amenas do que por exemplo Hué ou Dalat, por ser tratarem de cidades costeiras.

O sul do Vietname é quente todo o ano, tendo essencialmente duas estações. A estação seca vai de Novembro a Abril/Maio e a estação das chuvas daí até Outubro. De Fevereiro a Maio as temperaturas são ligeiramente mais elevadas embora esta seja a parte do Vietname que tem temperaturas mais constantes ao longo de todo o ano.

- Como Chegar

Por ar:

É relativamente fácil chegar ao Vietname de avião, pois quer Hanói quer Ho Chi Minh (Saigão) têm boas e muitas ligações aéreas, partindo da Ásia, Oceania, Europa ou mesmo América do Norte. Para quem parte da Europa é ainda possível encontrar passagens directas (de Paris, por exemplo) a preços acessíveis. No entanto, preparem-se para estar cerca de 13h dentro de um avião.

Por terra:

Também é relativamente fácil de chegar a partir da China (preferencialmente de comboio) e do Camboja (preferencialmente de autocarro ou barco). Do Laos é possível chegar ao Vietname (autocarro ou carrinha) através dos vários postos fronteiriços de norte a sul mas preparem-se para viagens bastante demoradas.

- Cuidados de Saúde

É aconselhável ir com com antecedência de pelo menos 1 mês à consulta do viajante. Em Portugal existem vários centros de consulta do viajantes espalhados pelo país. As consultas devem ser marcadas com alguma antecedência e tem uma taxa moderadora a rondar os 5 euros. Poderá obter mais informação no portal da saúde e aqui. De uma forma geral as vacinas recomendadas são as seguintes:


-Hepatite A e B: todos os viajantes
-Febre Tifóide: todos os viajantes
-Encefalite Japonesa: para estadias de duração igual ou superior a um mês, em particular se houver um período significativo em áreas rurais ou exposição prolongada ao ar livre (como campismo, trekking, etc)
-Raiva: para quem tiver maior risco de mordedura por parte de animais contaminados (cães, macacos e morcegos)

Para além destas vacinas, é ainda aconselhável profilaxia para a Malária e medidas preventivas para o Dengue. Podem levar repelente para mosquitos de Portugal ou adquirir no próprio Vietname. Nas regiões costeiras e em Hanói não há o risco de Malária. No entanto é aconselhável a utilização de repelente em todo o país pois só nos 2 primeiros meses do ano já foram registados 5000 casos da doença, um pouco por todo país. Acresce que contrariamente ao mosquito que transmite a Malária (que é mais activo ao amanhecer e ao anoitecer) o mosquito que transmite o Dengue ataca principalmente durante o dia, não havendo redes mosquiteiras que nos valham.

Convém não esquecer as regras de higiene básicas como lavar as mãos antes das refeições e selecionar bem os sítios onde se janta. Ter o cuidado de beber (e lavar os dentes) sempre água engarrafada. O gelo é geralmente seguro se tiver forma cilíndrica (vem de fábrica), caso contrário é melhor absterem-se dele. 


- Visto

Não há Visa-On-Arrival (VOA) no Vietname. Há duas formas de tratar do visto: através da embaixada (não há embaixada em Portugal, fica mais caro e demorado) ou através de uma agência que trata da "invitation letter" (carta de convite) e o resto processa-se como se fosse um VOA. Há muita oferta, nós tratamos do nosso vista com a Vietnam Visa Pro (tem endereços .com e .net) e correu tudo bem, sendo que era a que oferecia os melhores preços. Desta forma, pagamos pelos dois o que pagaríamos por cada um através da embaixada (no nosso caso um visto de múltipla entrada ficava por 110euro/pessoa pela embaixada enquanto que com a carta de convite pagamos 13 dollars pela mesma e 65 dollars pelo visto, à chegada).


- Moeda/ Preços

A moeda do Vientame é o Dong. Existem notas e moedas (re-introduzidas em circulação apenas em 2013). As notas existem de 10.000 a 500.000 dong (na realidade há algumas mais antigas de 200 a 5000 ainda em circulação) e as moedas de 200 a 5.000 dong.
Há ATMs por todo o lado em Hanói e Ho Chi Minh, noutras cidades por vezes é necessário caminhar 10 ou mais minutos até se encontrar uma e à noite pode ser mais complicado visto que algumas estão dentro de lojas ou são guardadas dentro das mesmas quando estas fecham. As caixas de câmbio são também frequentes e mesmo alguns hotéis oferecem taxas de cambio similares. No entanto, as melhores taxas de conversão são geralmente encontradas nos bancos (em especial no Vietcombank, estatal). Nos aeroportos as taxas não são as mais favoráveis mas também não são "escandalosas".

Relativamente a preços, o Vietname é um dos países mais baratos para o turista. Um prato local custa 3 a 4€ num restaurante, 1 a 2€ se for comida de rua ou num mercado(por vezes menos). Num restaurante médio esperem pagar 15 a 20euros, consoante o que comerem e beberem. Por 0,50 a 0,70€ bebem uma cerveja de 33cl, se quiserem pagar mais um pouco (0,85 a 1,10€ (20.000 a 25.000 dong)) têm direito a uma de 50cl. Se preferirem cerveja de pressão, então os preços caem drasticamente, sendo fácil encontrar - especialmente em Hoi An - cerveja a 3.000 dong (0,13€ - sim, 13 cêntimos).

Alojamentos há para todos os gostos e para todas as bolsas, sendo possível arranjar alguns dos hotéis com melhor relação qualidade/preço da Ásia.

- Transportes

Em Hanói e Ho Chi Minh abundam os taxis - uns fiáveis outros nem por isso. Em Hanói gostamos muito da Mai Linh (taxis verdes ou verdes e brancos): usam taxímetro e não andam às voltas. Muitas vezes é mesmo assim preferível negociar um preço. Em Ho Chi Minh também há Mai Linh mas são mais frequentes (e igualmente bons) os da Vinasun. Cuidado que alguns taxis "privados" apropriam-se de nomes similares (Mei Linh ou Mai Lin, por exemplo) tentando beneficiar da boa reputação destas companhias. Sempre que entrarem num taxi, negoceiem o preço primeiro ou certifiquem-se que ligam o taxímetro para evitar surpresas desagradáveis. Em Hanói há ainda um "enxame" de riquexós que fazem viagens e pequenas tours pela cidade a preços algo inflacionados mas negociáveis.

Outras cidades podem pura e simplesmente não ter taxis, principalmente à noite (por exemplo, Hoi An). Nestes locais, a melhor solução acaba por ser o moto-taxi (motociclistas que transportam uma ou 2 pessoas na sua moto, geralmente uma scooter).

O Vietname dispõe ainda de comboios que ligam o país de norte a sul e alguns dos trechos têm paisagens fenomenais. Há também ligações frequentes de autocarro e mini-bus entre cidades e estes últimos são muito úteis para deslocações para os aeroportos, por exemplo.

Há ainda aeroportos nas principais cidades do país com ligações low cost muito acessíveis e rápidas (a VietJet por exemplo tem preços muito convidativos e permite-nos ir de Hanói a Da Nang e daí até Ho Chi Minh.

No Delta do Mekong, os barcos são "reis" e certamente a forma mais deslumbrante (e aventureira) de se conhecer a região.

- Comunicação

Nas principais cidades a ligação à internet é boa embora muitos sites sejam interditos (Facebook, por exemplo). No entanto, muitos locais conseguem "contornar" a proibição com alguma facilidade, nomeadamente nos hotéis.
À data da nossa visita (2013) efectuar chamadas era "proibitivo" devido aos preços (rondavam os 5€ por minuto) e mesmo receber ficava caro. Os SMS embora mais "acessíveis", também eram de evitar. Programas como Viber e afins são assim indispensáveis se quiserem contactar quem cá ficou sem uma conta penosa no final.




- Principais Destinos a Visitar...




Capital e 2ª maior cidade do país, é provavelmente a cidade mais "autêntica" do Vietname. Da confusão dos "Old Quarters" ao bairro francês e à arquitectura da era da "linha dura" comunista, é uma cidade efervescente, onde milhares de motas e pessoas circulam dia e noite. Conhecida por ter a melhor comida de rua do Vietname, é também a base para visitar Halong Bay, SaPa ou Nim Binh.

  • Ha Long Bay - relato aqui



A "Baía dos Dragões Descendentes" é composta por milhares de formações rochosas e pequenas ilhas que a preenchem, assemelhando-se assim aos espinhos lombares de um dragão nas águas. É possível visita-la num só dia mas o ideal são 2 dias (com dormida no barco), pois a viagem de e para Hanói demora 4h. 

  • SaPa

Região montanhosa dominada pela diversidade étnica e por fantásticos arrozais cuja cor varia consoante a altura do ano e a fase de crescimento e maturação do arroz, na fronteira com a China. A forma mais fácil de lá chegar é o comboio nocturno que parte de Hanói.

  • Hoi An - relato aqui

Pequena mas acolhedora cidade de edifícios coloniais e templos chineses (maioritariamente taoistas e confucionistas) para relaxar entre a confusão de Hanói e Ho Chi Minh. Basta pensar que o centro é pedonal! É também a "meca culinária" do Vietname, sendo a região central do mesmo onde a comida é mais condimentada e picante. Não perder o restaurante "Morning Glory", provavelmente o melhor do país.

  • Hué - relato aqui


Antiga capital Imperial do Vietname, conhecida pela cidade imperial e pelos magníficos túmulos dos vários imperadores.


  • Ho Chi Minh City (Saigão) - relato aqui


Maior e mais populosa cidade do Vietname, a antiga capital do Vietname do Sul é provavelmente a cidade mais desenvolvida e ocidentalizada do país. A sua tomada marcou o fim da Guerra do Vietname (Guerra Americana para os vietnamitas). Base para visitar os túneis de Cu Chi e o Delta do Mekong, é também o melhor ponto de partida para as ilhas de Phu Quoc.


  • Delta do Mekong - relato aqui


Uma das regiões mais populosas e etnicamente diversificadas do país, vive literalmente na e da água do imenso delta do rio Mekong, que nasce no Tibete. Mercados flutuantes imperdíveis e incomparavelmente menos turísticos que os da Tailândia, por entre canais sem fim ladeados por casas construídas sobre estacas devido às cheias frequentes. Uma óptima porta de saída para o Camboja.

Outros destinos a não esquecer...
  • Arrozais de Nim Binh;
  • Dalat, cidade de montanha mais "europeia"e conhecida pelos jardins e campos de Golf;
  • Ilhas Phu Quoc, provavelmente o melhor destino de praia do Vietname;
  • Praias de Da Nang, Nha Trang e Mui Ne: destinos muito procurados acima de tudo por Surfistas;
  • Os vários Parques Naturais do país, com algumas das maiores grutas do mundo.

13/02/15

Huế



Inicialmente planeamos o nosso trajecto no regresso do Laos ao Vietname com um voo de Hanoi para Hué mas rapidamente percebemos que tal não ia ser possível pois o aeroporto encontrava-se em obras e inoperacional nessa altura. Assim, acabamos por voar para Da Nang, ficar uns dias em Hoi An e depois sim, ir a Hue antes de partirmos, novamente de Da Nang, para Saigão.

Optamos por alugar um carro com motorista no Hotel e depois de este nos levar aos templos de My Son, fizemos a curta viagem até Hué, pelo Hai Van pass, com direito a paragem para almoço.

Vista do Hai Van Pass

Resquícios de outra era
Vista do local onde almoçamos
Como a viagem é curta e queríamos aproveitar ao máximo o carro com condutor, nessa mesma tarde ainda chegamos a tempo de visitar um dos muitos mausoléus construídos para os vários Imperadores, na antiga capital Imperial da dinastia Nguyen, que dominou o Vietname do século XVII ao século XIX. 

Inicialmente esta dinastia controlava apenas o Sul do Vietname, ao passo que a dinastia Trinh controlava o Norte. Nós, Portugueses, fomos os primeiros ocidentais a chegar ao Vietname por mar e apoiamos o Sul (Nguyen) ao passo que os Holandeses que chegaram pouco depois, apoiaram o Norte (Trinh). A dinastia Nguyen viria mesmo a controlar todo o país, acabando também com o Reino Champa a sul, até que em meados do século XIX os Franceses e Espanhóis iniciaram uma guerra, inicialmente punitiva, mais tarde de conquista. Assim, cerca de uma década depois os Nguyen capitularam com a assinatura do Tratado de Saigão em 1862, sucedidos pelo Tratado de Hué e pelo Segundo Tratado de Saigão. O Vietname entrou então num período em que apesar de manter um "imperador", este não passava de um "fantoche" dos colonizadores franceses. Foi precisamente o mausoléu de um desses "imperadores", Khai Dinh, que reinou apenas 9 anos já no século XX.


Túmulo propriamente dito

Vista do Mausoléu




Bem "protegido"

Agora então nem se fala:p

Mausoléu







O bilhete para a visita dos vários mausoléus é relativamente barato e à data era possível visitar 3 mausoléus diferentes com um só bilhete. Infelizmente nós já só tivemos tempo para um. Seguia-se a cidade de Hué propriamente dita, banhada pelo rio Perfume e conhecida pela sua "Cidade Imperial", similar à "Cidade Proibida" de Pequim.

Padaria "a pedais"

Após uma noite bem dormida no Jade Hotel, um dos mais baratos da nossa viagem (básico mas limpo e bem localizado, staff simpático e inclui pequeno almoço simples mas saboroso), pretendíamos então perder o dia a explorar a "Cidade Imperial" e mais alguns pontos de interesse se sobrasse tempo, antes de regressarmos a Da Nang para apanhar o voo ao final do dia para Saigão.

O "único" senão foi de facto o estado do tempo: um tufão aproximava-se do centro do Vietname, com passagem prevista precisamente por Hué. Ainda assim, dirigimo-nos para a "Cidade Imperial" mas esta encontrava-se encerrada (devido à intempérie), para desilusão nossa e de mais meia dúzia de turistas corajosos que decidiram enfrentar a chuva e o vento. Decorridos alguns minutos, decidimos então regressar ao carro e no caminho (que havíamos percorrido minutos antes) haviam árvores de grande porte caídas e partidas, pessoas e motas caídas nos passeios e na estrada. Mal entramos no carro decidimos que se calhar estava na hora de alterarmos o nosso plano e regressar a Hoi An enquanto era possível. Assim fizemos (e desta vez fomos pelo túnel) e para nosso espanto, do outro lado do túnel o tempo estava muito mais calmo, apenas um chuva que nem era muito intensa.

Tentativa frustrada de visitar a Cidade Imperial. No regresso já não tiramos fotos... quando o perigo é iminente, foge-se!

Fica uma foto de um dos portões para a Cidade Imperial, num dia "normal", retirada da Wikipedia (autor(a): dalbera)



Como tínhamos o motorista pedimos então para nos levar às "Marble Mountains", próximas de Da Nang e também conhecidas como "Montanhas dos 5 elementos". Aqui encontramos templos maioritariamente budistas mas também hindus, alguns deles a céu aberto, outros em pequenas grutas e túneis.  No sopé, há múltiplas lojas e oficinas de esculturas típicas da região. No entanto, a extracção de pedra foi proibida, sendo assim importada de outras regiões do Vietname e da China.







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Por fim, regressamos a Hoi An onde almoçamos já tardiamente no nosso hotel. Aproveitamos para trocar de roupa (estavamos encharcados) antes de nos dirigirmos para o aeroporto de Da Nang, onde apanhamos o voo da VietJet para Saigão. Ficou assim, mais um motivo para regressar ao Vietname.





10/02/15

Delta do Mekong



O Delta do Mekong foi o nosso último destino e rota de saída do Vietname. Esta região, uma das mais densamente povoadas e diversificadas do país, é o garante da sobrevivência para cerca de 17 milhões de pessoas. No passado a região pertenceu aos reinos Khmer (actual Camboja) e Champa, acabando por ser conquistada em finais do século XVII pelo Vietname. Viria durante a ocupação francesa a chamar-se "Cochinchina". A diversidade étnica e religiosa desta região é também ela espantosa, considerando que estamos num pais maioritariamente budista. Há inclusive religiões que misturam elementos das várias religiões, incluindo o Cristianismo, Islão e Budismo.

Igreja Católica

Mesquita em Vinh Xuong, "penso eu de que"!

A região tem início imediatamente a Ocidente de Saigão mas é precisa uma viagem de cerca de duas horas de autocarro até Cai Be, ponto de partida do nosso barco para visitar o mercado flutuante. Há vários mercados por onde optar dependendo da duração que tivermos disponível para a tour bem como o destino "final". Os mercados geralmente visitados são Cai Rang (Can Tho), My Tho, Cai Be e Ben Tre. Os dois primeiros são maiores mas mais turísticos, a nós calhou-nos Cai Be, pois era o que fazia parte da tour que "precisávamos" para completar o percurso por terra e água até Phnom Penh, no Camboja. À data, esta tour de 2 dias pela The Sinh Tourist custou-nos cerca de 56 euros por pessoa. Actualmente o preço ronda os 80€, não se por mera desvalorização do Euro, se por terem eventualmente subido o preço.


Parte do maior "horto" flutuante que vi até hoje

"Take away" ou se calhar "Take aboard"
O tempo não ajudou muito no início da viagem - estávamos na rainy season - com algumas chuvadas fortes que embora não fosse incómodas para nós que estávamos abrigados no barco, era reduzido o número de barcos que estivessem a "operar". Ainda assim vimos acima de tudo trocas entre locais e não uma "operação" direcionada ao turista, embora um ou outro barco tentasse a sua sorte para vender frutas ou comidas.

Com a melhoria meteorológica progredimos por canais ladeados de casas quase na água e atravessados por pequenas pontes, até que atracamos numa fábrica tradicional, diria mesmo rudimentar, de papel de arroz, pipocas de arroz e caramelos. Também se vendia whisky de arroz com cobras e escorpiões dentro das garrafas.

"Pop-rice" no início 
Já prontas, as pipocas de arroz

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Caramelo 
O mesmo já a secar para depois ser cortado em pequenos rebuçados
Papel de arroz acabadinho de fazer e a secar! Já dá para entender as "marcas" no papel...
Whisky de arroz "fortalecido"
Entretanto, uma senhora idosa ia preparando o almoço deles:




Seguiu-se o (nosso) almoço num restaurante à beira rio com um espetáculo musical de qualidade duvidosa mas bastante animado e "divertido".



Regressamos ao barco e seguimos até Vinh Long, onde desembarcamos e parte das pessoas, que só tinham ido na tour de um dia, regressaram de mini-bus a Saigão. Nós, seguimos com mais 8 ou 9 pessoas e o nosso guia de carrinha - incluindo travessia de ferry - até Chau Doc, onde jantamos e pernoitamos num 3 ou 4 hotéis muito básicos que há na cidade. Há um 4 estrelas de luxo junto ao rio mas era bem caro para os padrões vietnamitas. Nós optamos por ir lá beber uma cerveja no final do jantar com o nosso grupo. Antes de jantar ainda fomos a tempo de um pequeno mercado mesmo em frente ao hotel:



Ruas de Chau Doc à noite
No segundo dia, iniciou-se um dos dias mais intrépidos da viagem. De manhã e com bom tempo, iniciamos um passeio em pequenos barcos com mulheres aos remos até pequenas aldeias flutuantes de pescadores, onde de certa forma toda a aldeia era um mercado, viveiros de peixes existiam mesmo por debaixo das casas e a "estrada" era onde se pescava.

Remadoras
"local" food




Aqui tudo "rola" sobre água
...excepto a bicicleta, creio eu! 


Uns pescam no rio...
Outros têm os peixes na engorda literalmente por baixo de casa
Assim que saímos do barco, o nosso guia deixou-nos numa pequena embarcação que - achávamos nós - nos iria levar até ao "High Speed Boat" que nos transportaria até Phnom Penh:

A nossa "barcaça" ao lado de uma que levou - até à fronteira - alguém com mais sorte (e que provavelmente se dispôs a gastar mais) do que nós...
Interior do barco, por esta altura tapado na lateral por causa da chuva; este foi também o momento em que o barco, após ameaçar encalhar num "atalho" aberto pelas cheias, ficou com a traseira presa numa ponte relativamente baixa: fomos todos para a traseira, empurramos o barco com apoio na ponte e ele lá passou!!!
Pois bem, este era o barco que nos levaria até à fronteira, a região mais "selvagem" onde as casas são construídas sempre em cima de estacas por causa das frequentes inundações e onde crianças brincam na mesma água onde búfalos de água se banham tranquilamente. Após uma pequena paragem que até deu jeito para almoçar no edifício de controlo fronteiriço, prosseguimos a aventura em terras de Angkor, finalmente num barco digno desse nome. Mais 3h de barco e chegávamos finalmente a terra, agora para novo controlo fronteiriço e pagamento do respectivo visto. Terminava a nossa aventura no Mekong e no Vietname, iniciava-se uma nova etapa no Camboja, o seu "pequeno irmão". Faltava 1h30 de carrinha até uma Phnom Penh alagada.

A parte mais "selvagem" do percurso, um "outro" Vietname
"ferry" local 
Casas com diques, por causa das cheias

ahhhhh... fresquinho!
Vista do posto fronteiriço de um dos ramos do Delta do Mekong: Olá Camboja!